minas do norte

Programas ampliam cobertura de telefonia móvel em áreas rurais

Aproximadamente 80 comunidades da região ainda não contam com o serviço

Christine Antonini
chrys_antonini@hotmail.com
Publicado em 07/04/2026 às 19:00.
Cássia moradora de Pedra Preta dos Montes (arquivo pessoal)
Cássia moradora de Pedra Preta dos Montes (arquivo pessoal)

Em um tempo em que o celular conecta pessoas, serviços e oportunidades em poucos segundos, ainda existem comunidades onde fazer uma ligação simples pode ser um desafio diário. Em regiões rurais de Montes Claros, como Pedra Preta dos Montes, Lagoinha e Santa Bárbara, a ausência de sinal sempre significou mais do que desconexão, significou isolamento.

Com a chegada dos programas Alô Minas! e Brasil Antenado, que preveem a instalação de antenas de telefonia móvel, moradores voltam a alimentar uma esperança antiga: a de finalmente fazer parte de um mundo cada vez mais digital. Ainda assim, cerca de 80 comunidades da região seguem sem acesso ao serviço.

Para quem vive nesses locais, a falta de sinal nunca foi apenas um incômodo. É uma dificuldade que atravessa o cotidiano, limita o acesso a serviços básicos e pode colocar vidas em risco em momentos de emergência.

É essa realidade que acompanha a vida de Cássia Adriana Soares Gomes, moradora de Pedra Preta, a 56 quilômetros de Montes Claros. Agente comunitária de saúde e presidente da Associação de Mulheres da comunidade, ela carrega consigo anos de espera por uma mudança que parecia distante.

“Não temos acesso nem para chamar o Samu, acionar a polícia ou usar aplicativos que dependem de internet. Hoje, tudo está no celular: pagar contas, buscar informação, conseguir ajuda. E a gente fica à margem disso”, conta.

Enquanto o sinal não chega, a criatividade vira necessidade. Cássia descreve uma rotina que revela o esforço silencioso de quem precisa se virar para se comunicar. “Para conseguir falar com alguém, temos que ir até um ponto específico, onde há uma árvore que pega um sinal fraco de outra torre. Tem gente que faz até ‘gambiarra’, usando garrafa PET, tentando melhorar a recepção. É como dá”, relata.

Para a assistente social de Lagoinha, Barbara Lima, a implantação das antenas representa mais do que avanço tecnológico. “Para essas comunidades, significa acesso, dignidade e novas possibilidades. Com um sinal mais estável, moradores poderão se comunicar com mais segurança, acessar serviços públicos, estudar à distância e até fortalecer pequenas atividades econômicas”, pondera.

O processo de instalação das antenas ainda passa por etapas técnicas e de licenciamento.

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