
Com a aproximação do período chuvoso no Norte de Minas, produtores rurais precisam antecipar a preparação das propriedades durante o plantio. A retomada das precipitações marca o início das culturas de verão, mas a irregularidade das chuvas exige planejamento.
Segundo o engenheiro agrônomo Lucas Leocádio, o produtor não deve esperar a confirmação de um cenário climático específico para começar a se preparar. “Eu vejo que a gente não pode cruzar os braços e não fazer nada com a esperança que vai ter ou que não vai ter chuva. A oportunidade acaba passando. E, dentro desse aspecto, eu passo por esse planejamento de antecipar as ações necessárias dentro da propriedade”, afirma.
O primeiro passo é definir a cultura e organizar as condições para o plantio. O preparo do solo pode envolver aração, gradagem e, em áreas compactadas, subsolagem. A qualidade das sementes também deve ser verificada antes da semeadura, com testes de germinação.
O procedimento pode ser feito na propriedade: umedecer um papel, colocar uma amostra das sementes sobre ele, acondicioná-lo em uma sacola plástica com ar e aguardar cerca de uma semana.
Máquinas e implementos também precisam ser revisados. Lubrificação, regulagem de plantadeiras, peneiras e distribuição de sementes e fertilizantes devem ser conferidas. “Uma vez a gente depara com o produtor, compra um milho, compra um sorgo, mas não tem a peneira ali na propriedade que permita o plantio dela”, exemplifica.
A compra antecipada dos insumos pode evitar interrupções durante o desenvolvimento das culturas. No sorgo, o agrônomo chama atenção para a ocorrência de pulgões na região. No milho, a cigarrinha também deve entrar no planejamento.
Outro cuidado é escolher o momento adequado para a semeadura. Lucas recomenda acompanhar diferentes fontes de previsão meteorológica e observar a persistência da chuva. “Às vezes você joga a semente, vem uma chuva mínima, ali, de 10, 15 milímetros, vai ser suficiente para ela germinar e essa chuva não continua. A planta vai germinar, logo vai pegar um estresse muito grande e acabar morrendo”, explica.
Como referência, o agrônomo cita uma perspectiva de 50 a 80 milímetros ou mais de chuva, associada à continuidade das precipitações. O volume varia conforme a cultura e a propriedade.
A adubação também deve ser planejada de acordo com a produtividade esperada e as necessidades da cultura. Para Lucas, reduzir o investimento de forma indiscriminada pode prejudicar o desenvolvimento da lavoura em um cenário de maior dificuldade climática.
Para quem ainda não iniciou os preparativos, a orientação é definir a cultura, preparar o solo, providenciar sementes e insumos, testar a germinação e revisar máquinas e implementos. “Quem ainda não iniciou a preparação, a dica crucial é iniciar. A chuva já está batendo à nossa porta”, orienta.
