
O Produto Interno Bruto (PIB) do agrone-gócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três últimos meses de 2025. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado foi influenciado principalmente pela queda dos preços agropecuários, que reduziu o valor gerado pelo setor mesmo com aumento da produção em diversas cadeias.
No segmento primário agrícola, a produção projetada cresceu 3,77%, enquanto os preços reais recuaram, em média, 15,30% no primeiro trimestre. Na pecuária, a produção apresenta crescimento médio projetado de 4,61%, mas os preços ficaram 11,37% abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.
“Produzir mais não significa necessariamente gerar mais renda”, explica a gerência de Agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Segundo a entidade, uma safra maior, ganhos de produtividade e avanços tecnológicos podem coexistir com redução da renda quando o produtor recebe menos pelo que comercializa.
Os números de algumas das principais cadeias ilustram o cenário. O café teve alta projetada de 17,98% na produção, mas queda de 25,08% nos preços. Na cana-de-açúcar, a produção deve crescer 5,32%, enquanto os preços recuaram 16,81%. A soja apresenta crescimento de 5,04% na produção e redução de 9,18% nos preços. No milho, a produção caiu 0,70% e os preços, 19,29%. Já a laranja teve produção praticamente estável, com recuo de 0,38%, mas os preços caíram 58,58%.
Para a Faemg, o resultado deve ser interpretado como uma correção conjuntural após o forte crescimento registrado pelo agronegócio em 2025, e não como perda estrutural de força do setor. O cenário, porém, combina preços menores, margens mais estreitas, crédito restritivo e maior cautela nos investimentos.
A retração também pode alcançar atividades que estão fora das propriedades rurais. Com menor renda, o produtor tende a reduzir a aquisição de máquinas e insumos, a contratação de serviços e os investimentos, afetando transporte, armazenagem, comércio e indústria.
No Norte de Minas, onde a agropecuária tem peso na geração de renda, esse efeito pode se espalhar pela economia regional. “Fortalecer o agro significa também fortalecer a indústria, o comércio, os serviços e a logística”, avalia a gerência de Agronegócio da Faemg.
Apesar da retração, o agronegócio continua representando parcela relevante da economia brasileira. A projeção é de que o setor responda por 22,8% da economia em 2026, com PIB estimado em aproximadamente R$ 3,13 trilhões. Para a Faemg, o desafio é transformar ganhos de produtividade em renda, investimento e agregação de valor, com estímulo à agroindustrialização e ao desenvolvimento regional.
