
Nesta última sexta-feira (28), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou a conclusão do inquérito que investigou o homicídio de um jovem de 28 anos, natural de Espinosa, encontrado morto no dia 27 de outubro, às margens da MGC-122, em Capitão Enéas. O caso, que inicialmente começou como um desaparecimento, foi desvendado após uma operação interestadual que envolveu equipes de Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Segundo a família, a vítima saiu de casa por volta das 8h da manhã alegando que iria até Mato Verde entregar um telefone celular que havia vendido a uma jovem da cidade. Depois disso, não foi mais vista. Ainda no mesmo dia, à noite, um tratorista encontrou o corpo do rapaz em uma estrada vicinal. Ele apresentava marcas de disparos de arma de fogo. A família registrou boletim de ocorrência por desaparecimento, e as investigações tiveram início imediato.
A primeira reviravolta do caso ocorreu quando o veículo da vítima foi localizado abandonado em Montes Claros. O acesso às imagens de câmeras de segurança da região permitiu identificar que o automóvel havia sido deixado no local por um homem do estado de Goiás. A partir daí, a PCMG acionou a Polícia Civil goiana, que localizou e prendeu o suspeito. Em depoimento, ele confessou o crime, afirmando tê-lo executado a mando de outra pessoa. Como pagamento, teria recebido a quitação de uma dívida relacionada ao tráfico de drogas.
As investigações revelaram ainda que o executor permaneceu entre dez e 15 dias hospedado na casa da jovem de Mato Verde, a mesma que teria marcado o encontro com a vítima e que, segundo a polícia, foi responsável por criar a emboscada. A delegada Francielle Drumond explicou que o trabalho integrado entre as forças policiais permitiu identificar a localização do mandante e da mulher, que estavam escondidos em Itacaré, na Bahia.
“Por meio de serviços de inteligência, reconhecimento facial e monitoramento, localizamos o casal. No dia 23 de novembro, com mandados de prisão em aberto, foi deflagrada uma operação conjunta entre as polícias da Bahia, Minas e Goiás, culminando na prisão dos dois. O executor também está preso em Goiás, aguardando recambiamento para Minas Gerais”, explicou a delegada.
O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, e a expectativa é de que o Ministério Público ofereça denúncia por homicídio triplamente qualificado, com qualificadoras de emboscada, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A mulher de 23 anos, responsável por atrair o jovem ao local da emboscada, também forneceu apoio logístico, cedendo sua residência em Montes Claros para hospedar o executor. O mandante, natural de Goiás, já tinha prisão preventiva decretada por outro homicídio, o assassinato do filho de um policial goiano, e possui extensa ficha criminal, incluindo ligação com facções criminosas. A mulher tem registros por delitos de menor potencial ofensivo, e o executor também possui passagens pela polícia.
De acordo com a delegada, a motivação do crime está ligada ao tráfico de drogas. A vítima devia ao traficante local, que por sua vez devia ao mandante. “A polícia concluiu que havia dois alvos: o traficante, alvo principal, e a vítima, que seria um alvo secundário”, afirmou. A investigação, classificada como extremamente complexa, só avançou graças à integração das forças policiais dos três estados. A vítima tinha um boletim de ocorrência registrado anteriormente por tráfico de drogas. Todos os três envolvidos foram indiciados pelo homicídio triplamente qualificado e seguem presos.
