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Policia Civil conclui inquérito sobre o advogado que foi morto e concretado em Montes Claros

Melhor amigo da vitima encomendou o assassinato que era para ter sido executado dois meses antes do crime. Cinco pessoas estão presas.

Leonardo Queiroz
Publicado em 19/01/2023 às 14:51.
 (Leonardo Queiroz)

(Leonardo Queiroz)

A Policia Civil concluiu na data da ultima quarta-feira (18) o inquérito de homicídio qualificado  do advogado criminalista Alexandre Barra, 35 anos que ficou desaparecido mais de uma semana e foi encontrado morto e concretado no quintal  de uma casa no bairro santos Dumont em Montes Claros.

De acordo com a delegada Francielle Drumond a Policia Civil apurou que o advogado foi morto no dia 13 de Dezembro, dia do seu desaparecimento. No mesmo dia do crime foi noticiado o seu desaparecimento e instaurado procedimento para apurar o desaparecimento do advogado.  No dia seguinte o veiculo do criminalista for encontrado abandonado em um motel na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Após diligencias forma identificadas duas pessoas que teriam abandonado o veiculo naquela cidade e posteriormente identificados com o desaparecimento da vitima. 

Em 16 de Dezembro a PC tomou conhecimento da tentativa de homicídio de um dos ocupantes do veículo. Os suspeitos envolvidos na tentativa de homicídio estavam envolvidos diretamente no desaparecimento do advogado e teriam tentando matar o outro envolvido por motivação de queima de arquivo com receio de que o mesmo pudesse denunciar a ação criminosa ao qual estavam envolvidos. O corpo do advogado foi localizado no dia 18 de Dezembro e quatro autores foram presos, inclusive o suspeito que foi vítima de tentativa de homicídio. O quinto foragido estava na cidade de Uberlândia e foi preso em 30 de Dezembro. 

A policia civil também apurou que a motivação do crime estava relacionada com agiotagem onde a principal pessoa investigada, um amigo pessoal da vitima, intermediava todos os empréstimos com juros abusivos. “Ele pegava com a vítima empréstimo com juros de 10 a 20% e repassava a juros maiores de 40% sendo o responsável por influenciar todos os outros envolvidos a criar a idéia de matar a vitima e com isso uma redução do abatimento de juros dos empréstimos feitos pelos envolvidos e assumiria o recebimento dos valores que seriam repassados ao advogado”, diz a delegada. 

Dinâmica do Crime 
O advogado criminalista Alexandre Barra foi atraído no dia 13 de Dezembro por um dos suspeitos, seu melhor amigo até a residência de um dos envolvidos. Chegando ao local ambos foram rendidos por mais dois autores que os aguardavam. O advogado e seu amigo foram colocados de joelhos, amordaçados e encapuzados. A partir daí o amigo foi desamarrado passando a auxiliar os comparsas na execução do crime contra a vítima. 

No relatório a causa morte do advogado se deu por traumatismo craniano, mas de acordo com a PC o depoimento dos suspeitos levou a crer que ele foi primeiramente enforcado com um cinto. “O que nos levar a crer que foi traumatismo craniano foi o depoimento dos suspeitos em contar que o advogado morreu no segundo andar da casa por enforcamento e em seguida  puxado pela escada a baixo com o cinto usado no enforcamento onde acreditamos que ele bateu varias vezes com a cabeça na escada o que gerou o traumatismo”, explica a delegada. 

Exceto o melhor amigo, todos os envolvidos no crime tinham divida de agiotagem com o advogado e de acordo com a delegada o amigo intimo da vitima era o maior interessado na morte do advogado “Ele matando receberia todos os valores e prometeu para os demais envolvidos que teriam abatimento de juros da vitima. Esse melhor amigo era quem captava clientes para o advogado e repassava o dinheiro a ele”, diz a delegada. 

A polícia civil também apurou que o crime foi premeditado e inclusive um dia antes do homicídio todos os 5 se reuniram em determinado local para planejar toda a execução do crime e individualizar a conduta de cada um dos envolvidos. Foi apurado que o crime já estava sendo planejado há mais 2 meses onde tentaram matar o advogado em outra oportunidade mas a tentativa foi falha. 

Foram apreendidos na casa do advogado alguns documentos de contrato de compra e venda que inclusive estavam no nome dos investigados no crime de homicídio passando as casas desses investigados para a vítima. O melhor amigo da vitima era quem intermediava  todos os empréstimos que o advogado fazia. Ele pegava dinheiro emprestado com a vítima a juros de 10, 20% e repassava a juros de 40%. Diante dessa cobrança abusiva de juros, objetivando conseguir a participação dos ouros autores, o amigo da vítima os influenciou, descrevendo a vítima como sendo uma pessoa violenta e perigosa ligada, inclusive, a facções criminosas, e que, uma vez que eles também eram devedores, com a morte do advogado, ele continuaria recebendo os pagamentos devidos, porém com promessas de que haveria abatimento de juros e parcelamento das dívidas. Nenhum dos envolvidos tinha relação direta com a vítima. 

Os cinco suspeitos continuam recolhidos no sistema prisional à disposição do Poder Judiciário. A delegada concluiu o inquérito indiciando os cinco autores pelo cometimento do crime de homicídio triplamente qualificado, pois o crime ocorreu por motivo torpe, utilizando meio cruel mediante traição e emboscada, impossibilitando a defesa da vítima. Três deles foram indiciados ainda pela ocultação do cadáver e outro, pelo crime de furto.

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