Café bem blindado

Pesquisadores em Minas testam mineral para proteger lavouras de café contra geadas

Mais da metade das cidades mineiras cultivam café, o que coloca o Estado como maior produtor nacional

Da Redação*
Publicado em 05/05/2022 às 11:03.
 (Daniel Ramirez/Pixabay)

(Daniel Ramirez/Pixabay)

Tornar os pés de café resistentes às baixas temperaturas é o mote de uma pesquisa na Universidade Federal de Lavras (Ufla), Sul de Minas. Cientistas testam a aplicação do selênio – mineral com um alto poder antioxidante – na lavoura. Resultados preliminares indicam que a substância pode evitar que as folhas fiquem queimadas. 

Atualmente, mais da metade das cidades mineiras cultiva café. O Estado é o maior produtor nacional. No ano passado, geadas castigaram as plantações. Na época, levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) mostrou que 194 municípios foram afetados, com 173,6 mil hectares atingidos.

Evitar novas perdas da safra, no entanto, será um projeto de médio a longo prazo. Os estudos envolvendo selênio e café ainda são incipientes. Mas há potencial. 

O mineral, geralmente presente em alimentos, melhora o metabolismo de humanos e animais. Além disso, já é utilizado em outras culturas como parte da bioforti-ficação agronômica, que visa combater a deficiência nutricional. 

O projeto da Ufla conta com parceria da Universidade da Califórnia em Davis (UC-Davis). A pesquisa faz parte da tese de doutorado do discente do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo (PPCS), Gustavo Ferreira de Sousa.

Conforme explica o doutorando, as plantas precisam de água, luz e temperatura para se desenvolverem. Quando esses fatores ambientais estão em condições extremas, seja pela baixa ou alta quantidade (seca, geadas), ocorre um estresse na planta, reduzindo o desenvolvimento e prejudicando a produtividade. 

“Entre as alternativas de combate a essas respostas fisiológicas negativas está a nutrição mineral. Inserimos determinados nutrientes ou elementos benéficos, que vão desempenhar funções específicas dentro da planta”.

O professor da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal) da Ufla, Luiz Roberto Guimarães Guilherme, conta que foi visível a eficiência do selênio na planta. “Devido à experiência em outras culturas, já tínhamos a expectativa de que daria certo. Nossos estudos se concentram sobre o frio”. 
 
MAIS FORTES
Guilherme confirma que o selênio melhora o metabolismo, sobretudo aquele ligado ao conteúdo de açúcares na planta. Ele também pode aumentar a concentração de clorofilas, combater radicais livres e ativar enzimas.

“Isso faz com que, ao chegar o frio, essas plantas sofram menos com problemas das geadas, continuando ativas e produzindo. Com esses estudos, vai ser possível levar essa tecnologia ao produtor e reduzir perdas e desperdícios”.

A primeira etapa da pesquisa foi realizada na Ufla. Em uma câmara com controle de temperatura, umidade e luminosidade, os pesquisadores colocaram as mudas de café com e sem selênio e inseriram condições extremas.

Depois, voltaram a temperatura ao normal para observar como a planta reagiria. “Não adianta sobreviver ao frio se depois não se recuperar, quando volta à sua condição normal. Por isso, nossa intenção também é entender qual é o mecanismo de resposta da planta ao selênio, buscando um entendimento molecular para saber quais são as vias que estão respondendo a esse tratamento”, explica o professor Antônio Chalfun Júnior, do Instituto de Ciências Naturais.

* Com informações do Portal Ciência Ufla

Compartilhar
Logotipo O NorteLogotipo O Norte
E-MAIL:jornalismo@onorte.net
ENDEREÇO:Rua Justino CâmaraCentro - Montes Claros - MGCEP: 39400-010
O Norte© Copyright 2022Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por