Agosto Lilás

Operação Amparo reforça combate à violência contra a mulher

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 29/08/2026 às 00:37.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, nesta sexta-feira (28), os resultados da terceira fase da Operação Amparo, que reforçou, ao longo de agosto, o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A mobilização integra a programação do Agosto Lilás e teve o chamado “Dia D” nesta sexta, com atuação de policiais em diferentes municípios do Norte de Minas.

No âmbito do 11º Departamento de Polícia Civil, foram cumpridas 19 medidas de busca e apreensão, além de 10 mandados de prisão. Duas pessoas procuradas foram localizadas e presas, enquanto oito alvos continuam foragidos. Ao longo da operação, também foram solicitadas 120 medidas protetivas de urgência. Cerca de 90 policiais participaram das ações, que incluíram 33 visitas de acompanhamento e acolhimento a mulheres vítimas de violência.

As atividades envolveram as cidades de Montes Claros, Januária, Janaúba e Taiobeiras. Segundo o delegado Jurandir César, chefe do 11° Departamento de Polícia Civil, a operação reúne diferentes forças de segurança e tem como objetivos não apenas a repressão aos crimes, mas também a prevenção e o acolhimento das vítimas.

“No Agosto Lilás, a Polícia Civil está realizando, em todo esse período, a Operação Amparo, que é uma iniciativa da Polícia Civil de Minas Gerais, mas que conta também com a participação de outros órgãos, como a Polícia Militar. É uma ação conjunta que visa à repressão qualificada ao crime de violência doméstica e familiar contra mulher, mas que busca também o acolhimento e a prevenção”, explicou.

Ainda de acordo com o delegado, mais de 33 visitas foram realizadas durante a operação, com o objetivo de oferecer acompanhamento às vítimas. “Ao todo, nesse período, foram concluídas 72 prisões, um número significativo que demonstra a resposta do Estado no enfrentamento a este tipo de violência. Tivemos também o pedido de mais de 120 medidas protetivas de urgência, visando acolher e proteger as nossas mulheres”, completou.

AÇÕES EM MONTES CLAROS
Em Montes Claros, a operação mobilizou 63 policiais civis e contou com 23 viaturas, com duas prisões realizadas durante a ação. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, 7 mandados de prisão e 2 presos.

Segundo a delegada Karine Maia, os alvos estão relacionados a casos considerados graves, incluindo violência doméstica reiterada, descumprimento de medidas protetivas e situações que poderiam evoluir para feminicídio. “Com relação aos mandados de busca e apreensão e mandados de prisão, são casos envolvendo violência doméstica, casos graves, possíveis casos que poderiam chegar a um feminicídio, descumprimento de medidas protetivas, violência reiterada, então a maioria dos casos envolvendo esses casos de Maria da Penha”, explicou.

Entre os desdobramentos da operação, uma ação em clínicas que já eram investigadas pela Polícia Civil revelou um cenário de possíveis maus-tratos e abusos contra mulheres internadas. Conforme a delegada, foram encontradas vítimas relatando abusos sexuais e outras situações de violência. A expectativa é de que o caso resulte em até quatro prisões em flagrante.

“Hoje nós resgatamos vítimas que estavam sendo maltratadas dentro de uma clínica de tratamento, de recuperação, uma clínica completamente irregular e que a gente já estava aí investigando há algum tempo”, afirmou a delegada.

A ocorrência também mobilizou outros órgãos. Vigilância Sanitária, assistência social e Conselho Tutelar foram acionados para acompanhar a situação, especialmente porque havia menores de idade no local. Segundo a delegada, os trabalhos terão continuidade nos próximos dias.

Para Karine Maia, apesar do aumento das denúncias, a violência contra a mulher ainda exige ações que vão além da atuação policial. Ela defende o fortalecimento de políticas públicas para que as vítimas tenham condições de romper ciclos de violência.

“Ainda não conseguimos efetivamente diminuir o índice de violência contra a mulher, porque não conseguimos colocar em prática a Lei Maria da Penha como ela deveria. Nós ainda precisamos de políticas públicas para fortalecer essas mulheres, porque elas acabam voltando para esse agressor ou escolhendo outro companheiro que seja também um agressor”, afirmou a delegada Karine.

Ao encerrar a avaliação da operação, a delegada deixou uma mensagem às mulheres vítimas de violência. “A mensagem que eu deixo nesse mês é de coragem. Nós estamos lá para apurar crimes, mas também para acolher, para orientar. Então, procurar ajuda. Às vezes dar o primeiro passo vai fazer toda a diferença”, finalizou.

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