
O Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), ligado ao Sistema Faemg Senar, e a multinacional ADM firmaram parceria para desenvolver um modelo de bioeconomia baseado na valorização de espécies nativas, como o jenipapo, no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. A iniciativa busca capacitar pequenos produtores e coletores, gerar renda e estimular a conservação do Cerrado e da Caatinga.
O projeto-piloto pretende estruturar uma cadeia de extrativismo sustentável, com rastreabilidade, boas práticas de coleta e remuneração dos participantes. A proposta começa em regiões que estão entre as de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas Gerais e prevê a participação de sindicatos de produtores rurais na mobilização e organização das comunidades.
Segundo Guilherme Chaves Andrade, analista de planejamento do Inaes, a iniciativa pretende diversificar a renda no campo a partir de uma espécie que ainda é pouco valorizada. “Esse projeto surge de uma grande parceria nossa com a ADM para diversificar a renda do produtor rural”, afirma.
Entre as ações estão o mapeamento das áreas onde há ocorrência natural do jenipapo, o cadastramento de produtores, a mobilização de coletores e a capacitação para o manejo dos frutos. O Senar participa da formação das equipes, com treinamentos sobre segurança no trabalho, técnicas de colheita, manejo e padronização das embalagens.
A primeira coleta de jenipapo foi realizada entre 13 e 17 de julho, em Rubim, no Vale do Jequitinhonha. Os interessados em participar devem manifestar adesão ao programa. A metodologia também prevê equipamentos adequados para aumentar a segurança, reduzir perdas e preservar a qualidade do produto.
Para Jonas Pagassini, especialista em Agronomia da ADM, a capacitação é parte central da proposta. “O conhecimento técnico e a educação são, nesse caso, o ponto de partida para o desenvolvimento estruturado e sustentável da bioeconomia”, diz.
A expectativa é que o projeto-piloto permita avaliar a viabilidade técnica e o potencial socioeconômico da cadeia, além de fortalecer as capacidades locais. A geração de renda para pequenos produtores e coletores e a valorização dos recursos naturais estão entre os resultados esperados.
A estratégia também busca dar maior valor econômico à floresta em pé. Ao transformar a coleta sustentável de frutos nativos em fonte de renda, a proposta pretende incentivar a conservação da vegetação e reduzir a pressão pela conversão dessas áreas para outras atividades.
A parceria integra o programa global ADM Cares, voltado a iniciativas de agricultura sustentável, conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário. De acordo com o Inaes, o ciclo de 2026 será importante para avaliar o potencial produtivo das regiões e a possibilidade de expansão do modelo em Minas Gerais.
