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Norte de Minas lidera desmatamento ilegal no estado

Bonito de Minas encabeça ranking com quase 800 hectares devastados

Christine Antonini
chrys_antonini@hotmail.com
Publicado em 23/04/2026 às 19:00.
Operações estaduais resultam em mais de R$ 5 milhões em multas e apreensões; Jaíba e Gameleiras concentram maiores autuações em operação nacional (senad/divulgação)
Operações estaduais resultam em mais de R$ 5 milhões em multas e apreensões; Jaíba e Gameleiras concentram maiores autuações em operação nacional (senad/divulgação)

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) divulgou um relatório sobre ações de combate ao desmatamento ilegal e às irregularidades na produção florestal em diversas regiões de Minas Gerais. O levantamento aponta que o Norte do estado concentra os maiores índices de desmatamento. Entre os municípios, Bonito de Minas lidera o ranking das dez cidades com maior área desmatada, somando 779,6 hectares. 

De janeiro a março, foram realizadas 22 operações em todo o estado, com a participação da Semad, da Polícia Militar e do Instituto Estadual de Florestas (IEF). As ações resultaram em multas que ultrapassam R$ 5 milhões, além de apreensões, embargos e outras medidas administrativas.

Os dez municípios no topo do ranking são: Bonito de Minas (779,6 l hectares), João Pinheiro (702,3 hectares), São Romão (378,7 hectares), Montes Claros (259,1 hectares), Grão Mogol (224,7 hectares), Patis (191,7 hectares), Santa Fé de Minas (157,8 hectares), Buritizeiro (153,7 hectares), Brasilândia de Minas (152,5 hectares) e Paracatu (147,9 hectares).

Segundo a Semad, o uso de plataformas de monitoramento ambiental, como MapBiomas, Brasil Mais e o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real, tem permitido maior agilidade na identificação de ocorrências, muitas vezes quase em tempo real. O cruzamento de dados revelou inconsistências, como divergências entre volumes autorizados e transportados, além de indícios de exploração além dos limites permitidos. 

Também há suspeitas de mistura irregular de carvão de origem nativa com aquele proveniente de florestas plantadas, prática que compromete a rastreabilidade da produção. Como resultado, foram aplicadas multas, apreendidos caminhões e cargas de carvão vegetal, além de realizados bloqueios no sistema de controle florestal. 

“Além dos impactos à biodiversidade, o desmatamento compromete diretamente os recursos hídricos. A retirada da cobertura vegetal afeta a infiltração da água no solo, a recarga de aquíferos e a regulação dos cursos d’água, podendo intensificar eventos extremos, como secas e enchentes”, destaca a promotora de Justiça Maria Isabela Colares, coordenadora da Regional Bacia dos rios Verde Grande e Pardo de Minas.
 
JAÍBA
Apesar de o maior índice de desmatamento ter sido registrado em Bonito de Minas, a Semad informa que, durante a Operação Caatinga Resiste, realizada em todo o país, os municípios de Jaíba e Gameleiras concentraram as maiores multas aplicadas. Ao todo, foram vistoriadas 46 áreas rurais, entre fazendas e pastagens, resultando em mais de R$ 20 milhões em autuações.

Além das multas, a operação resultou na prisão de uma pessoa e na apreensão de uma arma de fogo, cerca de 2 mil metros cúbicos de lenha - o equivalente a 50 carretas cheias e 19 metros cúbicos de carvão vegetal.

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