
Montes Claros volta a ter um árbitro habilitado no Colégio de Jurados da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), após mais de quarenta anos. O município agora integra a instância responsável pelos julgamentos em exposições e eventos oficiais da raça no país.
O responsável por esse marco é Sávio Fernandes Costa, médico-veterinário, diretor do Núcleo do Cavalo Mangalarga Marchador do Norte de Minas e, agora, integrante grupo de jurados da ABCCMM. Natural de Montes Claros, ele construiu sua trajetória profissional diretamente ligada à doma de equinos e ao acompanhamento técnico de julgamentos, percorrendo diferentes regiões do Brasil em busca de conhecimento e aprimoramento.
“Sou natural de Montes Claros e atuo aqui na parte de doma de equinos. Ao longo da minha trajetória, viajei o país acompanhando julgamentos, sempre buscando aprimoramento técnico e profissional.”
A formação acadêmica teve papel decisivo nesse processo. Graduado pelo Centro Universitário Funorte e pós-graduado em Equideocultura — Raças Marchadoras pela PUC Minas, Sávio destaca que o conhecimento científico foi essencial para ampliar a compreensão sobre o cavalo Mangalarga Marchador, aliando prática e técnica.
“A formação acadêmica me deu uma visão mais técnica do cavalo e uma direção mais clara para que ele fosse entendido de maneira profissional”.
O ingresso no Colégio de Jurados ocorreu após a participação no Curso Preparatório para Novos Jurados, iniciativa inédita criada pela ABCCMM em 2024, com o objetivo de fortalecer e qualificar o quadro técnico da entidade. “Através do curso de novos jurados, pude trocar experiências com profissionais extremamente qualificados. Tivemos um embasamento teórico muito importante, mas a prática foi essencial para a construção de um conhecimento sólido, sempre seguindo o padrão racial do Mangalarga Marchador.”
Ao tratar dos critérios de julgamento, Sávio ressalta que a identidade da raça é um dos principais pontos observados, tanto na morfologia quanto no andamento dos animais.
“Na morfologia, a primeira coisa que acredito que o cavalo precisa ter é a expressão racial, aquilo que caracteriza a nossa raça. No andamento, é fundamental que o cavalo tenha um gesto de marcha dissociado e com muita qualidade de movimento.”
Para o presidente do Núcleo do Mangalarga Marchador do Norte de Minas, Rodrigo Cunha, a conquista representa reconhecimento coletivo e fortalecimento regional.
“A conquista do Sávio é motivo de orgulho para o Núcleo e para todo o Norte de Minas. Ele representa uma geração preparada, técnica e comprometida com o futuro da raça.”
O vice-presidente do Núcleo, Rafael Sousa, também destaca o simbolismo do momento: “Há mais de 40 anos a nossa região não tinha um árbitro no Colégio de Jurados da ABCCMM. Esse momento simboliza o fortalecimento do Norte de Minas dentro do cenário nacional do Mangalarga Marchador.”
Ciente da responsabilidade do cargo, Sávio ressalta que o papel do jurado influencia diretamente os rumos da raça. “Muitos pensam que o jurado apenas classifica os animais, mas a responsabilidade é muito maior. Cada decisão direciona o futuro da raça. Por isso, o jurado precisa estar muito preparado, ser justo e sempre seguir o padrão racial.”
“É algo que vale muito a pena se dedicar. Se é isso que você realmente almeja, corra atrás, se capacite e jamais desista”, completa Sávio.
