Mangalarga Marchador

Médico-veterinário formado na Funorte integra Colégio de Jurados da ABCCMM

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 04/02/2026 às 19:00.
Egresso da Funorte coloca Montes Claros de volta ao Colégio de Jurados da ABCCMM (Leonardo Queiroz)
Egresso da Funorte coloca Montes Claros de volta ao Colégio de Jurados da ABCCMM (Leonardo Queiroz)

Montes Claros volta a ter um árbitro habilitado no Colégio de Jurados da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), após mais de quarenta anos. O município agora integra a instância responsável pelos julgamentos em exposições e eventos oficiais da raça no país.

O responsável por esse marco é Sávio Fernandes Costa, médico-veterinário, diretor do Núcleo do Cavalo Mangalarga Marchador do Norte de Minas e, agora, integrante grupo de jurados da ABCCMM. Natural de Montes Claros, ele construiu sua trajetória profissional diretamente ligada à doma de equinos e ao acompanhamento técnico de julgamentos, percorrendo diferentes regiões do Brasil em busca de conhecimento e aprimoramento.

“Sou natural de Montes Claros e atuo aqui na parte de doma de equinos. Ao longo da minha trajetória, viajei o país acompanhando julgamentos, sempre buscando aprimoramento técnico e profissional.”

A formação acadêmica teve papel decisivo nesse processo. Graduado pelo Centro Universitário Funorte e pós-graduado em Equideocultura — Raças Marchadoras pela PUC Minas, Sávio destaca que o conhecimento científico foi essencial para ampliar a compreensão sobre o cavalo Mangalarga Marchador, aliando prática e técnica.

“A formação acadêmica me deu uma visão mais técnica do cavalo e uma direção mais clara para que ele fosse entendido de maneira profissional”.

O ingresso no Colégio de Jurados ocorreu após a participação no Curso Preparatório para Novos Jurados, iniciativa inédita criada pela ABCCMM em 2024, com o objetivo de fortalecer e qualificar o quadro técnico da entidade. “Através do curso de novos jurados, pude trocar experiências com profissionais extremamente qualificados. Tivemos um embasamento teórico muito importante, mas a prática foi essencial para a construção de um conhecimento sólido, sempre seguindo o padrão racial do Mangalarga Marchador.”

Ao tratar dos critérios de julgamento, Sávio ressalta que a identidade da raça é um dos principais pontos observados, tanto na morfologia quanto no andamento dos animais.

“Na morfologia, a primeira coisa que acredito que o cavalo precisa ter é a expressão racial, aquilo que caracteriza a nossa raça. No andamento, é fundamental que o cavalo tenha um gesto de marcha dissociado e com muita qualidade de movimento.”

Para o presidente do Núcleo do Mangalarga Marchador do Norte de Minas, Rodrigo Cunha, a conquista representa reconhecimento coletivo e fortalecimento regional.

“A conquista do Sávio é motivo de orgulho para o Núcleo e para todo o Norte de Minas. Ele representa uma geração preparada, técnica e comprometida com o futuro da raça.”

O vice-presidente do Núcleo, Rafael Sousa, também destaca o simbolismo do momento: “Há mais de 40 anos a nossa região não tinha um árbitro no Colégio de Jurados da ABCCMM. Esse momento simboliza o fortalecimento do Norte de Minas dentro do cenário nacional do Mangalarga Marchador.”

Ciente da responsabilidade do cargo, Sávio ressalta que o papel do jurado influencia diretamente os rumos da raça. “Muitos pensam que o jurado apenas classifica os animais, mas a responsabilidade é muito maior. Cada decisão direciona o futuro da raça. Por isso, o jurado precisa estar muito preparado, ser justo e sempre seguir o padrão racial.”

“É algo que vale muito a pena se dedicar. Se é isso que você realmente almeja, corra atrás, se capacite e jamais desista”, completa Sávio. 

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