
Dados do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em Minas Gerais apontam que, entre maio de 2025 e abril de 2026, os Centros de Triagem e Reabilitação Animal (Cetras) receberam um total de 7.851 animais silvestres, frutos de capturas e/ou apreensões. Destes, 5.444 foram devolvidos à natureza. Atualmente, conforme dados do Instituto, 75 áreas estão aptas para a soltura desses animais em todo o Estado. Com o objetivo de reforçar a proteção à fauna, o Norte de Minas inaugurou mais uma unidade do Cetras, desta vez em Januária. Os centros são locais estruturados para receber, identificar, fazer a triagem, recuperar e reabilitar os animais silvestres e exóticos e, atualmente, estão em Belo Horizonte, Montes Claros, Juiz de Fora, Patos de Minas e Divinópolis.
De acordo com Ariane Goulart, diretora de Proteção à Fauna do IEF, a ideia é ampliar localmente o atendimento à fauna em cativeiro. Até então, o Alto Médio São Francisco era atendido por Montes Claros. “A unidade em Januária vai permitir vantagem no momento do deslocamento e qualidade para esses animais que são recebidos. O limite é de 1.200 animais por ano e a ideia é que não tenha limitação do tipo de animal a ser recebido, podendo ser ave, grandes ou pequenos mamíferos”, disse. Segundo Ariane, os caminhos para a chegada desses animais ao Cetras são diversos, desde animais apreendidos pela polícia, resgatados pelo Corpo de Bombeiros ou animais de entrega voluntária. Nessa última categoria, enquadram-se, como exemplos, os animais vítimas de um atropelamento ou percebidos pela população como necessitados de assistência. “Ou ainda quando tem um animal em cativeiro e a pessoa entende que não é possível, porque não está legalizado, e traz como devolução também. A forma de chegada pode variar e os órgãos que têm
essa conversa com a gente, como Corpo de Bombeiros, polícia e unidades de fiscalização, que são portas de entrada, já estão cientes de que a unidade está com os profissionais contratados e treinados e insumos para atuar”, destacou.
O biólogo Waldney Martins, mestre e doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela UFMG, acredita que a presença do Cetras na região vai beneficiar as espécies. “Antigamente, as espécies que eram apreendidas tanto pela polícia ambiental quanto por órgãos como o Ibama eram soltas em qualquer lugar, não havia muito controle e, às vezes, os animais não passavam pela reabilitação. Eles acabavam morrendo por várias situações”, explica. Outro ponto observado pelo biólogo é que os centros podem também incentivar a entrega voluntária. Nesse sentido, o biólogo ressalta que há pessoas que mantêm animais silvestres adquiridos em criadouros comerciais e que esses animais não podem ser exibidos em público, justamente para não estimular a situação. “São animais caros e, quando as pessoas veem alguém com um animal desse e não têm condição de comprar, elas vão na natureza para tentar capturar. Então, a criação de animais silvestres em casa não beneficia em nada a conservação da biodiversidade”, observa. Waldney acrescenta que, com o Cetras, a pessoa que tem a consciência de estar com uma espécie de maneira ilegal resolve fazer a doação. “Acredito que essa nova unidade vai contribuir bastante”, afirmou.
