
Cravada no coração do Jequitinhonha, Turmalina, a cidade considerada a “jóia do Vale”, abriu a celebração do Divino Espírito Santo. O evento vai até o dia 20 de julho e espera receber visitantes de todas as partes do Estado. Reconhecida pela Lei Estadual nº 24.339/2023 como de Relevante Interesse Cultural do Estado de Minas Gerais, a celebração é uma das mais tradicionais manifestações da religiosidade popular do Estado.
De acordo com o historiador e radialista turmalinense, Gilmar Souza, a Festa do Divino está para Turmalina como as Festas de Agosto para Montes Claros. “São mais de dois séculos de história, preservando costumes, rituais e expressões culturais que atravessam gerações. Ex-imperador do Divino e festeiro em 2017, Gilmar conta que o seu envolvimento com a festividade vem de berço e passa por diversos setores. “Contribuo com os grupos de cultura, no sentido de colocar elementos fundamentais no lado sagrado, que é a parte religiosa, e no profano, com as brincadeiras, folguedos e danças. Sou mestre de folias, mestre da cultura popular, cacheiro do Divino, folião, animador das cantigas, das danças, gritador de leilão e animação das novenas”, diz. O historiador revela que, ano a ano, aumenta a conscientização em relação à preservação das suas origens. “Sou fruto de tudo isso, do folclore, das cantigas, da poesia. É indescritível a sensação de reafirmar a nossa cultura”.
A celebração remete aos festejos europeus no século XII. No Brasil, recebeu adaptações e cada cidade comemora a seu modo, respeitando a essência da comemoração, sendo a fartura da colheita, a descida do espírito santo sobre a humanidade, a vida e seus dons.
“Assumir o papel de festeira do Divino é um compromisso que vai muito além da organização logística da festa. A nossa função, acima de tudo, é levar a mensagem do Divino Espírito Santo a toda a nossa comunidade”, declara a empresária Graziele Maciel Cordeiro Gonçalves, festeira em 2026 com a família.
A festa, conta Graziele, desperta o espírito de coletividade e solidariedade, ao reunir pessoas em um mesmo propósito. “Uma comunidade que não se reúne, morre. E nós não deixamos morrer a nossa união e identidade cultural. O impacto nas famílias, o voluntariado, torna a entrega muito genuína, de coração, com o objetivo de deixar um legado de esperança para todas as pessoas”, comenta.
A Festa do Divino Espírito Santo traz, além do cortejo e rituais tradicionais com levantamento do mastro e giro da bandeira para receber donativos, os leilões de animais, novenas, alvoradas, almoços, distribuição de doces na praça, caminhada pela paz e shows artísticos. O último dia do evento é dedicado a homenagear o turmalinense ausente. A programação é gratuita e acontece na Paróquia Nossa Senhora da Piedade e na praça da cidade.
