minas do norte

El Niño acende alerta para seca e falta de água na região

Municípios temem aumento da estiagem e dos impactos sobre comunidades rurais e produtores

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 26/08/2026 às 19:00.
Cel. Paulo Rezende, da Defesa Civil Estadual ressalta que não há motivo para pânico e assegura monitoramento contínuo diante do avanço do El Nino (Márcia Vieira)
Cel. Paulo Rezende, da Defesa Civil Estadual ressalta que não há motivo para pânico e assegura monitoramento contínuo diante do avanço do El Nino (Márcia Vieira)

A previsão de intensificação do El Niño, fenômeno climático que deve permanecer em evidência até o início de 2027, preocupa prefeitos de municípios norte-mineiros. O temor é de aumento de períodos mais secos, temperaturas elevadas e maior pressão sobre os recursos. “O município de Manga é muito grande, com 52 comunidades rurais, com 1.942.000 km² de área territorial, e a gente sofre muito com a falta de água nas comunidades rurais. Os rios secam, os poços artesianos secam e os animais também são prejudicados”, afirmou o prefeito Anastácio Guedes, que participou de evento relacionado ao tema, na manhã desta terça-feira, 25, promovido pela Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams). Conforme o prefeito, o município de 20 mil habitantes, conta com cerca de 600 barraginhas, mas ainda são insuficientes para reter água. “Falta investimento. Estamos finalizando o mês oito e o Estado ainda não mandou um pipa para nós. Temos sobrevivido com ações do Governo Federal. Está difícil para os produtores e o município, de modo geral”, frisou Anastácio.

A criticidade da situação não está restrita ao Norte de Minas. Segundo Felipe Spencer, coordenador da Defesa Civil em Capelinha, cidade no Vale do Jequitinhonha, com aproximadamente 45 mil habitantes, o município apresenta um longo período de seca, que vai de maio até novembro. “E quando chega novembro, temos chuvas torrenciais que arrasam a região. O El Niño tende a prolongar o período de estiagem este ano. Temos 100 famílias cadastradas que precisam cotidianamente de auxílio, e a tendência é aumentar”, prevê.

Para discutir os impactos do El Niño e orientar prefeitos e profissionais da Defesa Civil em suas demandas, o evento reuniu representantes de secretarias estaduais e do Gabinete Militar do Governo de Minas. Paulo Rezende, Coordenador Estadual da Defesa Civil, reforça não haver motivo para pânico. “A medida que o evento climático vai se aproximando, é que a gente consegue ter uma maior precisão. Então, essa é a nossa primeira preocupação. A partir desse encontro, continuará essa rede de relacionamento com os municípios, informando e comunicando a evolução da situação. Precisamos orientar tecnicamente para não superpotencializar o fenômeno e nem minimizar”, disse, assegurando que haverá acompanhamento e monitoramento sistemático.

De acordo com o tenente Cleonildo, diante da possibilidade de uma seca severa, a Defesa Civil Estadual está preparada para dar suporte a todos os municípios. “Mas é necessário que os municípios façam sua parte, com o decreto de estiagem, ou de seca, ou qualquer outra eventualidade que ocorra para que haja a intervenção”, explica. Entre as ações, constam a água, por meio dos caminhões-pipa, kit de higiene, de limpeza, ajuda humanitária, a partir da necessidade de cada município. “São ações intensificadas. Por exemplo, caso o município solicite um ou dois caminhões, a Cedec contribui com três, sabendo a realidade do município”. Aliado a essas ações, destaca o Tenente, continua em vigor o Programa Convivência com a Seca, desenvolvido para atender com caixas d’água os municípios que apresentaram o plano de distribuição de água potável.

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