
Alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém a previsão de chuvas para esta semana em todo o Estado de Minas Gerais e ressalta ainda a possibilidade de chuva de granizo.
Segundo previsões do meteorologista Ruibran dos Reis, há muita nebulosidade em todo o Estado devido a uma frente fria atuando no litoral da região Sudeste. “Os modelos meteorológicos estão mostrando que vamos ter uma ligeira queda da pressão atmosférica entre o litoral das regiões sul e sudeste e, com isso, o sistema frontal vai ganhar mais intensidade”, diz. O resultado, segundo prevê Ruibran, é de chuva praticamente durante todos os dias da semana, mas, para o Norte de Minas, a chuva deverá acontecer somente até quarta-feira. “Então podemos esperar uma semana com chuvas em todas as regiões do estado, principalmente à tarde e à noite. São pancadões, aquelas chuvas fortes de final da tarde e início da noite, e chuvas com raios”, ressalta.
A estimativa do Corpo de Bombeiros em Montes Claros, para ocorrências relacionadas às chuvas durante o mês de janeiro, aponta para mais de 400 registros, incluindo afogamento, salvamento de pessoas em inundação, corte ou poda de árvores caídas sobre residência ou com risco iminente de queda, corte de árvore caída em via pública, vistoria em locais com risco de inundação, alagamento ou enxurrada, monitoramento, mapeamento em área de risco e outras ações de apoio à comunidade.
Só na última sexta-feira (30), os militares da corporação atenderam, no final da tarde, a sete ocorrências de queda de árvores em diferentes regiões da cidade. No Jardim Liberdade, uma árvore caiu sobre um veículo. No Centro, Vila Mauriceia e Chácara Canaci, foram três árvores caídas sobre residências, uma em cada local. No Ibituruna, houve o registro de uma árvore caída em via pública, com obstrução parcial da pista. O mesmo ocorreu na BR-365 KM 5, próximo à Ponte Branca, e na MGC-135, próximo à cidade de Mirabela. Nesta última, o CB precisou contar com o apoio de um guincho particular, que arrastou a árvore para fora da pista. “A situação ocorreu em virtude da forte chuva que atingiu a região. Em nenhum dos casos foram registrados acidentes de trânsito e, felizmente, não houve vítimas registradas em decorrência da chuva”, informou o CB.
IMPACTOS
A economista Vânia Vilas Boas destacou à reportagem que as condições climáticas extremas têm efeito também na produção agrícola, já que vão culminar em maior investimento do produtor para reverter os danos. “Vai afetar o preço, reduzir a quantidade ofertada e a qualidade dos produtos. Principalmente os alimentos que chamamos ‘in natura’, sofrem expressivamente as consequências no período chuvoso, uma vez que nós temos alagamentos, apodrecimento de raízes, que gera muito fungo, e com isso, os produtores têm que comprar mais, aumentar ainda mais a aplicação de defensivos agrícolas”, explica.
“Temos ainda o atraso no plantio e colheita de produtos. Diminuindo tanto a qualidade do produto quanto a quantidade, os custos de produção vão ficar mais caros, as máquinas que trabalham nas grandes áreas produtivas tendem a ter o seu uso dificultado e a produtividade será igualmente reduzida”, pontua.
Outro impacto, conforme a economista, é na logística do transporte. As estradas rurais ficam emburacadas ou então interditadas, e isso faz com que o tempo de transporte fique mais caro e consequentemente vai recair para o consumidor. “Vamos ver então que os itens mais impactados nesse período chuvoso são justamente as hortaliças. A gente já começa a ver que muitas delas sobem nesse período. Verduras, os legumes que chamamos de raiz, a batata, cenoura e, dependendo da região, os frutos”, considera. O impacto, segundo Vânia, afeta principalmente as famílias de menor renda, que gastam a maior parte do orçamento com alimentos. “Em resumo, tanto o excesso de chuva, como a falta dela, impactam significativamente a produção agrícola”, conclui.
