Três Marias vai liberar mais água do que o esperado

Cemig informou, na tarde de ontem, que volume do reservatório não para de subir; moradores ribeirinhos estão com medo e vigilantes

Janaína Fonseca e Márcia Vieira
Editora e repórter
15/01/2022 às 00:20.
Atualizado em 18/01/2022 às 00:54
 (ascom cemig/divulgação)

(ascom cemig/divulgação)

A sexta-feira foi de apreensão para quem vive às margens do rio São Francisco, no Norte de Minas. As comportas da Usina Hidrelétrica de Três Marias foram abertas às 8h, o que pode impactar no nível do curso d’água. E a preocupação será ainda maior a partir deste sábado (15). A Cemig, responsável pela usina, anunciou, no fim da tarde de ontem, que vai liberar mais água do que estava previsto.

Em vez da ampliação de 850 m³/s, totalizando 1.700 m³/s de defluência, a empresa irá liberar, às 8h deste sábado, 2.180 m³/s (vazão turbinada + vazão vertida) – 480 m³/s a mais do que previsto inicialmente.

Essa mudança aumenta o medo dos moradores de mais inundações e prejuízos, que já os atormentam por causa das fortes e constantes chuvas das últimas semanas na região.

Nesta sexta-feira, foram liberados 500 m³/s de água, que somado ao que já desce da hidrelétrica, totaliza 1.350 m³/s de defluência.

De acordo com a Cemig, responsável pela usina, a estimativa é a de que o volume maior de água seja sentido em Pirapora 16 horas após a abertura das comportas – ou seja, perto de meia-noite.

Com relação aos demais municípios banhados pelo Velho Chico, a empresa disse que não é possível estimar, porque ocorre a contribuição das vazões de afluentes, que também influenciam no nível do rio nessas cidades.

Além do dia de apreensão, a noite será de vigilância. Moradora de Barra do Guaicuí, onde o rio das Velhas – também com volume alterado pelas chuvas – se encontra com o São Francisco, Dalila Corrêa diz que está receosa, desde que soube da abertura das comportas.

Ela vive a 100 metros do encontro dos dois cursos d’água. “Este momento está chegando. O rio das Velhas já está cheio. Se chegar muita água, temo principalmente pelas pessoas que estão na parte mais baixa da cidade”, afirma.
 
DESESPERO
Segundo Dalila, alguns ribeirinhos já foram retirados de suas casas, mas outros ainda continuam lá. “Não deixa de ser preocupante. É realmente uma sensação de desespero, mas confiamos que eles vão soltar aos poucos”, pontua a moradora antes de saber da liberação de mais água do que o previsto inicialmente.

A Cemig informou, por meio de nota, que permanece monitorando a condição de operação do reservatório e novas ampliações podem ser necessárias, conforme as afluências verificadas na represa nos próximos dias.

De acordo com a empresa, a vazão a partir de hoje teve que ser revista porque, em função das precipitações ocorridas nas últimas semanas, as afluências da represa continuam em patamares extremamente altos em função do escoamento natural dos rios que alimentam o reservatório.
 
SOL 
A sexta-feira ensolarada foi um alívio para os ribeirinhos. “Foi o primeiro dia de sol, talvez melhore a situação”, espera Dalila.

Em Pirapora, que já convive com o rio 9 metros acima do nível normal, a expectativa também é grande, e o medo, mais ainda. “Esse volume liberado hoje (ontem) provavelmente vai chegar aqui por volta das 23h. Pelo que observei, o nível do rio está mais baixo”, conta Egnaldo Barbosa, morador de Pirapora e que está atento à situação.

São Romão continua alerta
Em São Romão, a preocupação é grande com a água que vai chegar da represa de Três Marias, pois o rio São Francisco já está no nível da rua. Como O NORTE mostrou na edição de ontem, moradores e animais foram retirados das três ilhas que integram a cidade: Caiapós, Martinha e Coqueiro. De acordo com o secretário Municipal de Meio Ambiente e responsável pela Defesa Civil, José Alberto Oliveira Pena, cinco famílias se recusaram a sair de uma das ilhas. “Eles criam porcos e galinhas e preferem ficar no local. Insistimos e explicamos que, se precisarem sair à noite, é mais difícil. Porém, estão resistentes”, lamenta José Alberto, que levou cestas básicas para esses moradores. Ele afirma que a previsão é a de que a água de Três Marias chegue a São Romão no domingo ou na segunda-feira. “Ela passa primeiro por Pirapora e Cachoeira da Manteiga, e chega aqui mais fraca”, explica. O município liberou uma escola para abrigar os moradores da cidade, caso haja necessidade. São Romão teve ontem o primeiro dia de sol depois de dias de chuva intensa.

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