Três Marias reduz vazão após cheia do rio Abaeté

Reservatório da Cemig está com quase 94% da capacidade, o que gera medo nos ribeirinhos de que haja a necessidade de ampliar liberação de água

Márcia Vieira
O NORTE
19/01/2022 às 00:46.
Atualizado em 21/01/2022 às 12:16
 (defesa civil de são Romão/divulgação)

(defesa civil de são Romão/divulgação)

Apesar da estiagem dos últimos dias no Norte de Minas, o rio São Francisco continua com nível elevado. Dentre os motivos estão a continuidade das chuvas em municípios com afluentes do curso d’água e a abertura das comportas da Usina Hidrelétrica de Três Marias.

E a preocupação que acompanha os ribeirinhos desde a última semana também não diminui. Isso porque o reservatório gerenciado pela Cemig está com o armazenamento em 93,97%, segundo dados divulgados ontem pela empresa. Isso gera o temor de que o volume de vazão possa ser ampliado e aumentar ainda mais o nível do Velho Chico.

Entretanto, a Cemig informou, por meio de nota, que vem acompanhando diariamente a situação para evitar que haja novas inundações nas cidades abaixo da represa.

Nessa terça-feira, inclusive, a defluência total programada foi reduzida em função de chuvas que caíram sobre o rio Abaeté, que deságua após a barragem de Três Marias.

“Foi necessário recolher a liberação de vazões, garantindo as ações de gestão do ponto às margens do rio São Francisco no município de Pirapora, onde o vapor Benjamin Guimarães segue atracado para reforma e revitalização”, informou a concessionária de energia.

O nível do reservatório, ainda de acordo com a Cemig, segue em ascensão ao longo da semana, o que já era esperado, porque rios que deságuam na represa ainda sofrem o reflexo das chuvas do início de janeiro. “Tais vazões, se liberadas na integralidade, causariam inundações mais generalizadas, já que o reservatório segue liberando 2.780 m³/s frente à média de 5.000 m³/s de recebimento”, explica a empresa.

Apesar da preocupação dos moradores, a Cemig afirma que o reservatório ainda segue com poder de amortecimento do evento de cheias que recebe. “É esperado que o nível siga essa tendência de ascensão até o início da semana do dia 24, quando as vazões que chegam ao reservatório passam a ser menores que as liberadas”.
 
FORA DE CASA 
Com tanta água para descer, as ilhas que ficam no São Francisco, em Pirapora e São Romão, estão todas alagadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, moradores foram retirados dos locais.

Para o empresário Egnaldo Barbosa, que tem um restaurante às margens do Velho Chico e faz constante vigília, a situação parece estar controlada, mas o temor é com o nível da represa que continua subindo, mesmo depois da abertura.

“Gravo vídeos diariamente e neles é possível ver que tem muitos galhos trazidos pela água. A Ilha do Coqueiro está coberta. Havia muitos moradores lá, mas o Corpo de Bombeiros retirou. Esperamos que não chova mais”, diz, preocupado.

De acordo com a chefe da Defesa Civil de Pirapora, Carla Dias, as casas que ficam nas ilhas foram alagadas e estão com até um metro de água. “A gente percebeu que o rio Abaeté ganhou água, por isso Três Marias reduziu um pouco a vazão”, afirma. Segundo ela, cerca de 70 famílias foram retiradas das ilhas.

Plantações perdidas
Em São Romão, as famílias que moram em ilhas e, inicialmente, resistiram em deixar as casas, perceberam a necessidade com a elevação do rio e acabaram saindo, de acordo com José Alberto Oliveira, chefe da Defesa Civil do município. “A preocupação agora é com as fazendas da região, pois o rio deságua em dois riachos próximos às fazendas. Quando o São Francisco está muito cheio, eles (os córregos) represam a água e acabam inundando as fazendas. Mas já saíram todos”, informa. Mas dentre os prejuízos dos agricultores familiares estão as plantações de quiabo, milho, abóbora, melancia e outros produtos: tudo será perdido.  


 

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