Depois dos plantios de eucaliptos, pinus e mogno africano, chegou a vez de a seringueira entrar em cena no Norte de Minas. Introduzida no Brasil com lavouras no estado da Bahia, a planta encontrou no Norte de Minas uma boa adaptação para produção irrigada. Porém, como a extração do látex é uma novidade para o norte-mineiro, ainda falta mão de obra especializada no ramo. Por isso, o Sistema Faemg/Senar Minas, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Janaúba, realizou neste município do Norte de Minas o curso de “Seringueiro/Sangrador”. 

A plantação da seringueira na região ainda é recente – em Janaúba existe apenas um produtor. O fruticultor Geraldo Pereira da Silva, que cultiva banana, apostou, em 2013, no plantio de 8,5 hectares de seringueira, consorciados com café. E ele já colheu frutos dessa produção. Segundo conta, já fez duas colheitas de café e agora vai fazer a primeira sangria das seringueiras. A sangria deveria ter sido feita no início deste ano, mas não havia mão de obra especializada nem suporte técnico. 

O instrutor do Senar Ascânio Oliveira pontua que a sangria é a etapa mais importante da produção da seringueira, uma vez que se trata da extração do látex, matéria-prima para todos os produtos derivados da borracha. 

“Isso não é uma realidade apenas do Norte de Minas. O maior desafio para a expansão das lavouras de seringueira no Brasil é a falta de mão de obra qualificada. Mas, para incentivar o setor da borracha, surgem cursos e treinamentos para capacitação de mão de obra. Esse treinamento oferecido pelo Sistema Faemg/Senar Minas tem o objetivo de auxiliar os produtores rurais, com todo o suporte técnico”, ressalta Ascânio. 
 
VANTAGENS
O produtor Geraldo Pereira ressalta que uma das grandes vantagens do cultivo da árvore é que a exploração econômica dura um longo período, pois o ciclo de vida da planta é de mais de 100 anos. Além da adaptabilidade do plantio irrigado da seringueira consorciada com café e cacau. 

“A atividade pode ser vantajosa, aumentando os ganhos, com a exploração econômica dos dois produtos ao mesmo tempo. E a produção pode ser vendida na indústria, sem passar por atravessadores, por causa da sua temporalidade. O que não acontece com as frutas, que temos que vender com urgência, nos sujeitando a ficar na mão de atravessadores”, afirma. 

Sobre o cultivo da seringueira na região, Ascânio diz que está sendo uma surpresa, uma vez que o solo norte-mineiro não é propício para este tipo de plantação. “Os especialistas em heveicultura consideram a região inapropriada para o cultivo, devido, principalmente, ao déficit hídrico local. No entanto, a irrigação vem suprindo essa deficiência e o estágio atual da lavoura comprova a sua viabilidade”.