Paulo Brandão


Correspondente


 


BOCAIÚVA - O município de Bocaiúva está comemorando 117 anos de emancipação político-administrativa. As festividades começaram no dia 14, por volta das 21 horas, na Praça da Matriz do Senhor do Bonfim. Romeiros e visitantes não perderam a oportunidade de permanecer mais um dia na cidade, que desde o dia 1º deste mês vem recebendo pessoas de vários estados do país. Uma multidão acompanhou as comemorações, ao som do coral de vozes do Conservatório estadual de música Lorenzo Fernandez e da dupla sertaneja Gilberto e Gilmar.



Novenas, missas e uma vasta programação cultural se estendem até o próximo domingo, 17. Por duas semanas a cidade divide o clima festivo com o religioso. Caravanas de várias cidades do estado de Minas Gerais, São Paulo e Bahia chegaram à cidade no sábado passado.



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Procissão com 'quadros vivos' e milhares de fiéis percorre ruas de Boc (Foto: Paulo Brandão)



DESDE O SÉCULO XVIII



De acordo com o historiador e jornalista José Henrique Brandão, acredita-se que desde o século XVIII vêm acontecendo os festejos do Senhor do Bonfim, entretanto, somente no século XIX se verificou um registro escrito e oficial sobre a festa. Ele está na ata das sessões da câmara municipal, na então Montes Claros de Formigas.



No livro Montes Claros, sua história, sua gente, seus costumes, do escritor Hermes Augusto de Paula, na página 16, é transcrito um episódio ocorrido na revolução liberal de 1842, compilado da ata da câmara:



- A primeira notícia sobre a revolução chegou aqui (Montes Claros) por ofício de Dom Pedro II, datado de 05/06/1842, o qual comunicou haver perturbações da ordem em diversos pontos do país. A câmara resolveu chamar em exercício as autoridades que se achavam assistindo aos festejos do Nosso Senhor do Bonfim, no distrito de Bonfim (Bocaiúva), no mês de julho, e enviou caminheiros comunicando os fatos aos municípios vizinhos.



No sábado passado, 09, houve levantamento do mastro e apresentações artísticas. De acordo com a organização da festa, aproximadamente 50 mil pessoas compareceram à Praça da Matriz.



No domingo aconteceu alvorada por volta das 6 da manhã. Às 16 horas, uma procissão saindo da igreja percorreu 10 km pelas principais ruas e avenidas. Quadros vivos se misturavam a milhares de fiéis. O mais comum é se vê-los levando uma pedra, tijolo, lata d’água na cabeça. Logo após o trajeto, a romaria assistiu a missa celebrada pelo bispo arquidiocesano de Moc, dom Geraldo Majela de Castro.