Um acertinho no salário mínimo pode evitar que o trabalhador brasileiro tenha uma perda ainda maior neste ano por causa da inflação acima do previsto em 2019. O presidente Jair Bolsonaro anunciou, na tarde de ontem, um aumento de mais R$ 6 no piso nacional de 2020, para repor a mordida do dragão.

Com a decisão, o salário mínimo deste ano passa de R$ 1.039 para R$ 1.045. Uma medida provisória (MP) será editada pelo presidente nos próximos dias para oficializar o aumento, que começa a valer a partir de 1º de fevereiro.

“Nós tivemos uma inflação atípica em dezembro, a gente não esperava que fosse tão alta assim, mas foi em virtude, basicamente, da carne, e tínhamos que fazer com que o valor do salário mínimo fosse mantido, então ele passa, via medida provisória, de R$ 1.039 para R$ 1.045, a partir de 1º de fevereiro”, afirmou Bolsonaro no Ministério da Economia.

O aumento de R$ 998 para R$ 1.045 representa um reajuste de 4,7%, correção acima da inflação. No entanto, para o trabalhador de Montes Claros, nem mesmo essa revisão do reajuste irá salvar a renda neste ano. Como O NORTE mostrou na edição do dia 9 de janeiro, a inflação na cidade ficou em 5,08%, o que impede qualquer ganho real para os assalariados.

O cálculo do governo, que elevou o valor de R$ 998 para R$ 1.039 a partir de 1º de janeiro, considerou uma inflação mais baixa do que a registrada pelo IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou 2019 com alta de 4,48%, contra 4,1% do reajuste do mínimo.

A alta no preço da carne teve um peso grande no aumento dos indicadores, puxando a inflação de dezembro para um patamar maior.
*Com Agência Brasil

Impacto superior a R$ 2 bi
O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou que os R$ 6 a mais no salário mínimo representa um impacto no Orçamento da União para 2020 de  
R$ 2,13 bilhões.
 
“A melhor estimativa de mercado que tínhamos no momento foi realizada e foi de aumento nominal de R$ 8”, disse Waldery. Ele explicou que cada R$ 1 a mais no salário mínimo leva ao aumento de despesa da União em R$ 355 milhões para 2020, por causa da indexação que gera em pagamentos e benefícios como seguro-desemprego, abono salarial, benefício de prestação continuada e Previdência.
 
Segundo o secretário, o governo terá que fazer ajustes também em outras rubricas. “Nós teremos, ao longo do ano, em avaliações bimestrais, que considerar esse novo fato, de maneira transparente e cautelosa”. O primeiro relatório bimestral de receitas e despesas do governo deve ser divulgado em 22 de março.
 
O ministro Paulo Guedes informou que o impacto nas contas públicas poderá ser compensado com R$ 8 bilhões de arrecadação extra prevista pelo governo.