Cinco pessoas foram presas durante a Operação Hollywood, realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais em Montes Claros. A ação buscou desarticular um esquema de clonagem de cartão de crédito e lavagem de dinheiro. O grupo chegou a movimentar mais de R$ 6 milhões.

Foram expedidos sete mandados de prisão, mas duas pessoas ainda estão foragidas. Dos cinco presos, três foram detidos em Montes Claros, um na Serra das Araras, em Chapada Gaúcha, e outro em Belo Horizonte.

Também foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e oito bloqueios de contas bancárias.

As investigações começaram há dois anos, quando a Polícia Civil começou a acompanhar uma empresa de fachada voltada para área de pesquisa de dados de comércio, criada pelos suspeitos para usar os dados financeiros das vítimas.

O grupo também vendia essas informações para criminosos que usavam os dados financeiros para aplicar golpes. A polícia constatou que a empresa não tinha nenhum funcionário vinculado a ela e que, durante cinco anos, a movimentação financeira foi nula (zero), o que comprovaria o uso para coletar dados financeiros e alimentar os golpes aplicados às empresas de cartões.

Os suspeitos têm entre 27 e 35 anos e vão responder por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Eles foram encaminhados para o sistema prisional e encontram-se à disposição da Justiça.
 
COMO FUNCIONAVA
Usando os cartões clonados, os suspeitos efetuavam compras na internet, principalmente de aparelhos odontológicos. Depois, esses equipamentos eram vendidos, gerando grande prejuízo às instituições financeiras.

Um médico integrante do grupo intermediava a venda em faculdades e os valores cobrados eram compatíveis com os aplicados no mercado, por isso quem comprava não desconfiava do golpe.

De acordo com o delegado Alberto Tenório, os suspeitos foram aperfeiçoando o golpe. “Primeiro, eles clonavam cartões usando exatamente os dados das vítimas. Depois, passaram a usar os dados das vítimas com o nome dos golpistas. Durante as compras físicas, eram apresentados os próprios documentos e, por último, os suspeitos colocaram dados de pessoas falecidas para dificultar a descoberta da fraude”, explica.

“Os valores eram usados para ostentação do luxo do grupo, viagens internacionais, casas e carros. Na casa do médico, líder da quadrilha, foram apreendidos R$ 112 mil, máquina de clonar cartões, máquina de contar dinheiro, impressora 3D, veículos de luxo e vários cartões”, conta o delegado. 

De acordo com o delegado Jurandir Rodrigues, chefe do 11º Departamento de Polícia Civil, reprimir esse tipo de crime tem sido possível graças ao investimento da Polícia Civil em ferramentas de inteligência policial.