O rio São Francisco vem sofrendo, nos últimos anos, com assoreamento e poluição, atingindo uma das situações mais críticas de sua história. 

De hoje até domingo, o V Encontro Popular da Bacia da Articulação Popular São Francisco Vivo (APSFV), realizado em Januária, pretende ouvir 80 representantes de povos e comunidades tradicionais de toda a Bacia do Velho Chico para levantar a atual situação e as possíveis soluções para esses problemas.

“O encontro tem a intenção de fazer uma boa análise sobre os problemas do rio e a conjuntura do país que repercute sobre essa situação”, disse a secretária-executiva do Conselho Pastoral dos Pescadores em Minas Gerais, Neuza Francisco. 

O encontro também pretende ouvir a população para saber se já é possível identificar as consequências do rompimento da barragem de minério da Mina Córrego do Feijão, que ocorreu em 25 de janeiro, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

De acordo com a organização do evento, cerca de 507 municípios, com mais de 16 milhões de habitantes, correm o risco de serem diretamente atingidos pela água contaminada.

“Queremos ouvir os atingidos e atingidas, desde Brumadinho até aqui na região. Conversaremos com os pescadores e instituições parceiras para pensarmos juntos como nos fortalecer em defesa do rio São Francisco, tendo o povo do rio como protagonista”, defende Neusa. 

Quem quiser participar do encontro pode entrar em contato pelo telefone (38) 99129-6021.

Em maio, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) realizou, entre os dias 9 e 16, uma expedição por 250 quilômetros dos rios Paraopeba e São Francisco e apontou que até aquele momento não existiam evidências de que os rejeitos minerários oriundos do rompimento em Brumadinho tivessem atingido o lago de Três Marias e o rio São Francisco.