Um estudo para o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 pelo Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu, com “resultados bastante animadores”, a etapa de prova de conceito. Tal etapa faz parte dos estudos pré-clínicos, em laboratório, e indica se a vacina tem potencial para produzir resposta imune e proteção contra a doença.

Cientistas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV) da Fiocruz Minas e do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG trabalham no desenvolvimento deste imunizante desde março de 2020. Segundo os pesquisadores, a vacina não apenas protegeu os camundongos usados na prova de conceito, como também evitou qualquer manifestação clínica da doença.

A pesquisa agora seguirá nos estudos pré-clínicos, com testes em macacos, considerados fundamentais para que se possa avançar em direção aos testes clínicos, em humanos. Nos primatas não-humanos, os pesquisadores vão investigar se a resposta imune causada pela vacina tem capacidade de produzir anticorpos contra o novo coronavírus.

O início dos testes em humanos pode ocorrer ainda neste ano, segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo. Porém, essa etapa requer a produção de um lote piloto da vacina dentro de rigorosos critérios de boas práticas e controle de qualidade, o que exigirá maior volume de recursos financeiros.

O pesquisador Ricardo Gazzinelli, coordenador do INCTV, explica que a plataforma tecnológica usada na vacina consiste na combinação de duas proteínas, entre elas a proteína S, utilizada pelo novo coronavírus para invadir as células do hospedeiro. Essas proteínas são combinadas em uma proteína “quimera”, que obteve os resultados positivos na prova de conceito.

 
VÁRIAS PESQUISAS
A UFMG possui sete projetos de imunizantes contra a Covid-19 em estudo. Um deles, em estágio mais avançado, está em busca de recursos para financiar a próxima etapa da pesquisa. 

Segundo a universidade, são necessários R$ 30 milhões para avançar às etapas 1 e 2 dos testes clínicos da vacina contra a Covid-19 chamada Spintec, desenvolvida no CTVacinas e uma das três mais adiantadas em estudo no país. 

Nas últimas semanas, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida vem-se reunindo com parlamentares e autoridades de várias instâncias governamentais em busca de apoio financeiro. 

“É um trabalho incessante, e, felizmente, a acolhida tem sido a melhor possível. Já conseguimos o apoio de alguns deputados estaduais e a bancada mineira na Câmara Federal também está empenhada em liberar recursos. Além disso, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do prefeito Alexandre Kalil, manifestou total apoio e garantiu que contribuirá com recursos para não deixar a pesquisa ser interrompida”, informa a reitora.

Nesta quarta-feira (14), Sandra Goulart irá à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apresentar estudos em andamento que tratam do desenvolvimento e da produção de vacina contra a Covid-19 pela universidade.

“Todos os apoios e esforços serão necessários”, afirma a reitora, que também acredita que o imunizante será selecionado para receber financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

*Com Agência Brasil