A Polícia Militar irá atuar fiscalizando o uso de máscaras em Minas. O anúncio foi feito ontem pelo governador Romeu Zema (Novo). Na iminência de esgotamento das vagas de UTI na rede pública, o Estado bateu ontem o recorde de mortes em 24 horas: foram 51 óbitos, elevando o total para 771. Os casos confirmados chegam a 31.343, diz a Secretaria de Estado de Saúde. 
 
O apoio da PM na exigência pelo uso de máscaras é uma das ações para tentar conter o avanço da Covid no Estado. Em entrevista, o secretário de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Amaral, já havia recomendado, no início da semana, que municípios que aderiram à flexibilização do comércio e serviços recuem e mantenham apenas os serviços essenciais em funcionamento, depois de constatada uma “interiorização” da doença: 75% das cidades mineiras já têm moradores com coronavírus. Com a expectativa de publicação do Decreto do Governador hoje no Diário Oficial, as prefeituras poderão contar formalmente com o apoio da PM na fiscalização do uso de máscaras e aglomerações.
 
Montes Claros não aderiu ao “Minas Consciente” proposto pelo Governo, mas montou um programa próprio com etapas de flexibilização. A quarta e penúltima etapa está em vigor há uma semana e contempla serviços como salões de beleza, academias, decoração e paisagismo, lojas de roupas e calçados, bares, restaurantes, lojas de conveniência, shoppings e galerias.
 
De acordo com o secretário Municipal de Defesa Social, Anderson Chaves, em Montes Claros já existe a parceria da PM com a Guarda Municipal, responsável oficial pela fiscalização. Os policiais acompanham a GM nas abordagens, que por vezes terminam em autuações. 
 
“Já contamos com este suporte da Polícia Militar e o Comitê de Crise para enfrentamento à pandemia tem representantes das autoridades de segurança e de saúde do município. Diariamente nos reunimos para tratar das ações de enfrentamento. Se formalizado este apoio da PM com a prefeitura vai contribuir para aprimorar mais ainda esta parceria e implementar as ações”, disse.
 
Apesar do aumento de casos de Covid-19 na cidade – são 210 confirmações e cinco óbitos –, não há sinalização do prefeito Humberto Souto para retroceder nas medidas de retomada das atividades econômicas. Entretanto, as entidades de classe vêm alertando a população para que cumpram as medidas de segurança, a fim de evitar um retrocesso. 
 
“Estamos procurando atender de forma educativa para que os comerciantes sigam todos os protocolos. O trabalho coletivo está fluindo, mas tem que haver precaução, porque a situação não está normal e nossa orientação é para que, se possível, eles (os moradores) deem preferência ao atendimento remoto e só saiam de casa por necessidade. Conversando com meus colegas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de outras cidades observo que houve um recuo nas medidas, mas creio que Montes Claros, por ter iniciado agora a reabertura, está com um quadro diferente das demais, que começaram mais cedo e talvez por isso estejam voltando atrás. Se o governador chegar a decretar um lockdown é porque haverá a necessidade”, disse o presidente da CDL, Ernandes Ferreira, sobre a possibilidade de o Estado implementar uma medida mais drástica. Sobre a fiscalização por parte da PM, o presidente, que tem uma cadeira no comitê de crise local, prefere aguardar as orientações para então se pronunciar.
 
A Assessoria da Polícia Militar em Montes Claros informou que aguarda as deliberações do Comitê de Crise Estadual para falar sobre a participação mais efetiva do órgão na fiscalização.