Há muito vem sendo dito sobre o crescimento do e-commerce e também sobre o mobile commerce. Segundo relatório da consultoria NeoTrust, em 2019 o faturamento do varejo digital foi na ordem de R$ 75 bilhões, uma alta de 23% sobre 2018. No mesmo período foram realizados quase 180 milhões de pedidos. Montante 22% superior a 2018. 

No entanto, trata-se de um mercado que ainda está longe da realidade de pequenos comércios. E a razão está na complexidade em levar o negócio para a internet. Foi nesse problema que a Pedro Rabelo e seus sócios encontraram um filão que se tornou a tábua de salvação para muitos pequenos lojistas em dias de isolamento social. 

Rabelo é um dos fundadores da Bagy, plataforma de e-commerce que surgiu em 2017 e tem como diferencial a simplicidade de uso e integração com redes sociais. “Quando começamos, desenvolvemos um market place (plataforma em que o cliente cadastra seus produtos). Depois vimos que havia uma demanda dos comerciantes em ter sua própria loja, mas que precisava ser simples. Daí mudamos o foco do negócio e fizemos dele um serviço, que tem integração com Facebook e Instagram”, explica.

Até março, a empresa contava com pouco mais de 3 mil clientes. Segundo Rabelo, a grande dificuldade em vender o Bagy era que o pequeno lojista não tinha tempo para entender o que era o serviço. No entanto, com o fechamento do comércio como medida de combate à disseminação do coronavírus, o negócio decolou. 

“Em nossas visitas, percebemos que os comerciantes não tinham tempo para dar atenção, pois tinham que cuidar do balcão, caixa e estoque. Isso nos fez enxergar que a ferramenta deveria ser muito intuitiva”, recorda. 

Mas com as lojas fechadas, comerciantes acabaram tendo que buscar alternativas para manter seus negócios. “Antes da pandemia, vimos que muitos dos lojistas namoravam o sistema mas não iniciavam. A partir de março, tivemos um crescimento que saltou de 19 para cem novos clientes diários. Tudo no boca a boca”, conta o empresário, que comemora a marca de 5 mil lojas cadastradas.
 
SOLUÇÃO 
Foi o que aconteceu com a empresária Pricila Luisa, de Brasília. Ela atua no ramo de vestuário há 20 anos. Chegou a encomendar um site, mas nunca ativou por achar muito complicado. “Estava sem vender quase nada, pois as pessoas estão com medo de sair. Abria duas vezes na semana, mas não era suficiente. Então uma amiga me indicou e fiz da noite para o dia, aproveitando as fotos do Instagram. E de 21 de abril até 11 de maio, 70% das vendas foram pelo Bagy” explica Luisa. 

Ela conta que, desde que iniciou o e-commerce, teve mais de 11 mil acessos e faturou R$ 50 mil. “Era um dinheiro que deixaria de fazer. A pandemia é o momento da virada do e-commerce”, avalia. 

Opinião que é compartilhada por Rabelo. “Esse realmente é o momento da virada para a migração em massa para o e-commerce no Brasil. Muita gente que nunca comprou on-line agora está comprando por uma questão de necessidade”, analisa o empresário, que aponta que o varejo on-line corresponde a 5% do comércio no Brasil, enquanto na China já chega a 25%

Em São Paulo, Bruna Oliveira é sócia com a mãe em uma loja de roupas em uma galeria, há seis anos. Ela conta que há tempos queria expandir para o e-commerce, mas uma das marcas com quem trabalha não permitia venda on-line. “Sempre quis ter uma loja virtual, pois em uma galeria não temos a mesma exposição que uma porta de loja na rua. Mas com o comércio parado, essa marca acabou permitindo que vendêssemos pela internet”, explica Bruna, que destaca a praticidade e a qualidade da equipe de suporte.

Com o bom resultado, Rabelo conta que ampliou a equipe com mais seis funcionários, que atuam justamente no suporte. “Também fizemos a expansão do nosso servidor para garantir o pleno funcionamento da plataforma”, diz.