Nem bem o consumidor digeriu o aumento dos combustíveis da semana passada e uma nova alta já foi anunciada pela Petrobras nesta segunda-feira. É o quinto reajuste neste ano, que provoca um rombo no orçamento familiar, reduz drasticamente a renda de quem trabalha com transporte e impacta em todos os outros setores da economia.

A nova alta de preços nas refinarias chegará à gasolina, ao óleo diesel e ao gás de cozinha. A partir desta terça (2), a gasolina ficará 4,8% mais cara, ou seja, R$ 0,12 por litro. Com isso, o combustível será vendido às distribuidoras por R$ 2,60 por litro. 

O óleo diesel terá um aumento de 5%: R$ 0,13 por litro. Com o reajuste, o preço para as distribuidoras passará a ser de R$ 2,71 por litro a partir de hoje.

Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de botijão ou gás de cozinha, ficará 5,2% mais caro também a partir de hoje. O preço para as distribuidoras será de R$ 3,05 por quilo (R$ 0,15 mais caro), ou seja R$ 36,69 por 13kg (ou R$ 1,90 mais caro).

As altas constantes dos combustíveis chegaram a provocar uma paralisação de tanqueiros na semana passada, que causou imensas filas nos postos de combustíveis, remarcações de última hora em bombas e até o término do estoque am alguns postos. 

Dados do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) indicam que, de novembro do ano passado até o final de fevereiro, a gasolina ficou 46% mais cara nas refinarias, e o diesel, 41%. Os aumentos repassados ao consumidor têm percentuais um pouco mais baixos, mas não menos pesados.

Em Montes Claros, o litro da gasolina comum, em 20 de janeiro, custava, em média, R$ 4,75. No último dia 20 de fevereiro, pela manhã, ainda sem o reflexo do quarto reajuste, o valor já estava em R$ 4,98, um aumento de R$ 0,23 por litro, o que corresponde a uma alta de 4,84%. Mas, à tarde, alguns postos já haviam remarcado o preço, que subiu para R$ 5,49 – 10,24% a mais.

O reajuste válido a partir de hoje deve chegar às bombas nos próximos dias. Conforme o presidente do Minaspetro, Carlos Guimarães, os reajustes impactam toda a cadeia produtiva e a discrepância entre preços nas refinarias e nos postos são fruto de uma série de fatores, como a concorrência. 

“O mercado de combustíveis é livre, cada empresário define o preço. Isso varia de acordo com a localização, a concorrência local, os repasses de reajustes por parte das distribuidoras, entre outros aspectos”, destaca Guimarães.
 
ETANOL
A disparada nos preços também impacta o preço do etanol hidratado. De novembro para cá, o combustível subiu 28,71% nas refinarias. Nas bombas, o consumidor viu o preço disparar de R$ 2,98 em novembro para R$ 3,70, em fevereiro. Com valores em franca elevação, o combustível, tradicionalmente uma alternativa econômica, caminha para deixar de valer a pena. 

“Somente é viável usar o etanol quando o preço dele é igual ou menor do que 70% do custo da gasolina. E, hoje, este percentual está praticamente nesse patamar”, destaca Feliciano Abreu, coordenador do site de pesquisas Mercado Mineiro. Pelo levantamento feito pelo site, o percentual já chega a 69,81%.

Segundo a Petrobras, os preços praticados pela empresa são baseados no valor do produto no mercado internacional e na taxa de câmbio. “Importante ressaltar também que os valores praticados nas refinarias pela Petrobras são diferentes dos percebidos pelo consumidor final no varejo. Até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis pelas distribuidoras, no caso da gasolina e do diesel, além dos custos e margens das companhias distribuidoras e dos revendedores de combustíveis”, destaca nota divulgada pela empresa.

*Com Agência Brasil e André Santos, do Hoje em Dia