O otimismo está passando bem longe do Natal das micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais. Pesquisa realizada pelo Sebrae Minas, em novembro e dezembro, aponta que eles esperam uma queda em grande parte dos pequenos negócios mineiros em relação ao ano passado.

Acostumados a ter aumento no faturamento nesta época do ano, os comerciantes estão cautelosos com as expectativas: 35% acreditam que o faturamento e as vendas deverão ser piores do que no mesmo período do ano passado. Já 31% dos entrevistados preveem uma melhora, 20% não souberam responder e apenas 14% esperam que os resultados neste final de ano permaneçam iguais a 2019.

“Devido à dimensão da crise econômica provocada pela pandemia, já era de se esperar esse pessimismo por parte dos donos de pequenos negócios com relação ao Natal. Outros fatores, como as baixas expectativas em relação à demanda por produtos e serviços e o receio de possíveis restrições ao funcionamento dos negócios também podem gerar uma maior cautela por parte dos empresários e empreendedores”, explica a analista do Sebrae Minas Paola La Guardia.

Já sobre o home office, a maioria (60%) dos entrevistados disse que, mesmo sendo feitas todas as adaptações necessárias, nenhum funcionário da empresa teria condições de trabalhar em casa. 

A pesquisa também mostrou que, antes da pandemia, 50% dos pequenos negócios não adotavam o home office – parcela que caiu para 36% atualmente. Dos que afirmam que estão praticando esse regime de trabalho, 63% têm mais da metade ou todos dos seus funcionários trabalhando a distância.
 
AUXÍLIO EMERGENCIAL
A possibilidade de que o benefício, concedido pelo governo federal, não continue a valer em 2021 também preocupa. Para 62% dos entrevistados, isso causaria um forte impacto negativo nos negócios.

O levantamento também apontou que cerca de 30% dos que participaram da pesquisa recebem o auxílio emergencial. Desses, 90% são MEI. Caso o recurso concedido pelo governo não seja pago no próximo ano, 62% dos empresários mineiros afirmaram que terão que investir mais tempo em seus negócios, aumentando as chances de não manterem o isolamento social, já que 77% desses responderam que sairão de casa quando necessário.
 
DRIBLANDO A CRISE
Mas há aqueles que seguem na contramão do que apontou a pesquisa. Para Fabrícia Oliveira, microempresária da loja virtual Lua Nua Bijuterias e Folheados, a experiência de se tornar uma microempreendedora individual no período da pandemia foi positiva e tem se mantido melhor ainda neste final de ano.

“Minhas vendas não pararam, só aumentaram. Mesmo com todas as dificuldades que esse ano teve para todos, as minhas clientes não estão deixando passar essa data do Natal em branco. Percebi que elas estão escolhendo os presentes com significado mais afetivo”, explica. 

“Para 2021, meu objetivo é me qualificar ainda mais como empreendedora, melhorar sempre a qualidade dos atendimentos na minha loja e crescer minha marca. Todo dia é uma luta para se reinventar e se qualificar para proporcionar um serviço de qualidade”, diz Fabrícia.

Intenção de consumo 
O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou o patamar de 72,1 pontos em dezembro deste ano, o maior resultado desde maio de 2020, quando chegou a 81,7 pontos. Segundo a CNC, mesmo com essa recuperação, este foi o pior mês de dezembro da série histórica. Em relação a dezembro de 2019, houve retração de 25,1%. 
 
De acordo com José Roberto Tadros, presidente da CNC, a confiança do consumidor vem melhorando, mas de forma lenta. “Nossa expectativa é a de que, com a vacinação já planejada pelo governo, esse processo de retomada da confiança tenha continuidade, provavelmente se acelerando nos próximos meses”, garante Tadros.