Três cidades do Norte de Minas – Jaíba, Montes Claros e Salinas – foram alvos, nesta quinta-feira, da Operação “Terceira Parcela”, da Polícia Federal, realizada para combater fraudes no auxílio emergencial, benefício pago pelo governo federal por causa da pandemia de Covid-19. Em Minas Gerais foram expedidos 66 mandados de busca e apreensão em 39 municípios.

Segundo a PF, mais de 20 mil pessoas foram prejudicadas por fraudes no benefício. Quando elas foram se cadastrar ou receber o valor do auxílio, perceberam que o dinheiro já havia sido sacado. A operação não se destina a encontrar pessoas que fizeram o cadastro de forma irregular e receberam a ajuda sem ter direito a ela. Esses devem procurar a Caixa para devolver o valor recebido.

Segundo a PF, cerca de 50 pessoas são investigadas por participar das fraudes. Além dos 66 mandados de busca e apreensão cumpridos em Minas, mais sete foram realizados na Paraíba, Tocantins e Bahia. Ninguém foi preso.
 
DENÚNCIAS 
“As investigações começaram através das denúncias de quem foi receber o valor e percebeu que o dinheiro já havia sido retirado da conta. Através dessas denúncias, foi criado um grupo de inteligência para investigar os alvos com o apoio do Ministério da Cidadania, a Caixa Econômica Federal, o Ministério Público Federal (MPF), a Receita Federal (RF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU)”, disse o superintendente regional substituto da Polícia Federal em Minas, Marcelo Rezende.

O objetivo da operação é desarticular organizações criminosas que praticam este tipo de delito. Nesta primeira etapa de investigação, são alvos os “beneficiários de pagamento de contas com valores obtidos com o desvio de auxílios emergenciais. 

O objetivo da operação é desestruturar ações que causam prejuízo ao programa assistencial e, por consequência, atingem a parcela da população que necessita desses valores”, segundo a PF.

LOCAIS
Foram mobilizados cerca de 200 policiais em Minas para participar da operação. Foram cumpridos mandados em Araguari, Belo Horizonte, Betim, Caetanópolis, Campanha, Campestre, Contagem, Cristiano Otoni, Divinópolis, Dores de Campos, Governador Valadares, Itamarandiba, Ituiutaba, Jaíba, Juiz de Fora, Lagoa Santa, Luz, Machado, Mateus Leme, Montes Claros, Mutum, Nova Lima, Paracatu, Paraopeba, Passos, Patos de Minas, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Presidente Olegário, Ribeirão das Neves, Sabará, Salinas, Santa Maria de Itabira, Santo Antônio do Monte, São João Nepomuceno, Sete Lagoas, Uberlândia, Unaí e Volta Grande.
 
CONTINUIDADE
A Operação “Terceira Parcela” dá sequência a outras duas investigações realizadas no ano passado. Em 10 de novembro, a Operação “Primeira Parcela” foi feita na Bahia, São Paulo e Tocantins. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e quatro pessoas foram presas. Em 10 de dezembro, a PF realizou a Operação “Segunda Parcela”, com atuação em 14 estados.

“Essa é a operação mais expressiva no combate a fraudes no auxílio emergencial. Os prejudicados são famílias sem renda que infelizmente tiveram seus benefícios retirados por organizações e grupos criminosos no momento de maior fragilidade”, diz Rezende.

“Neste primeiro momento estamos recolhendo provas qualificadas. As Informações desta quinta-feira serão cruzadas com as informações que já temos para ajudar nas próximas fases da investigação. Estamos em busca de identificar os integrantes dessa organização”, afirma o delegado da PF, Adriano de Freitas.