A crise energética vivida pelo Brasil é uma consequência da falta de investimentos no setor nos últimos anos, tanto na geração hidrelétrica quanto em outros tipos mais sustentáveis, como a eólica e a solar. O impacto disso agora cai no colo do consumidor.

Ele é chamado a economizar para evitar o racionamento ou um apagão e não tem saída, caso contrário, a bomba explode no orçamento doméstico ou da empresa.

Em Montes Claros, o proprietário de lanchonete Lucas Henrique Xavier, de 26 anos, começou a implantar mudanças para reduzir o consumo de energia desde o primeiro aumento na bandeira tarifária, em junho deste ano. Agora, vai ter que analisar outras possibilidades para economizar.

“Os últimos aumentos impactaram bastante e sabemos que este vai impactar ainda mais. Estávamos trabalhando com dois freezers e tivemos que reduzir, passando a trabalhar com apenas um. Como ele ficou muito cheio, tive que limitar o estoque”, explica o comerciante.

No estabelecimento, conta Lucas Henrique, todos estão instruídos a evitar luzes acesas quando não estiverem usando o espaço. “Também substituímos a refresqueira, que puxa bastante energia, e colocamos o suco em jarras na geladeira. Seguimos adequando de todas as formas”, afirma o dono da lanchonete, que ainda não parou para calcular o impacto de todos os aumentos já implantados.

“Acho que foi em torno de 50%. Já estou procurando saber mais sobre energia solar, buscando algumas empresas do ramo, porque quero expandir o negócio e, consequentemente, a demanda de congeladores e freezers aumenta, e com esse valor tão alto, não conseguimos fazer muita coisa”, afirma.

Consumidor no sufoco
O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pediu mais um esforço de consumidores e empresas para reduzirem o consumo de energia elétrica a fim de minimizar a crise hídrica pela qual o país passa.

“Os consumidores que aderirem a este chamado e economizarem energia serão recompensados e poderão ter redução na conta de luz”, garantiu o gestor.

Segundo ele, no caso das residências, a ideia é reduzir os gatos em 12%, desligando luzes e aparelhos que não estão em uso, aproveitando a luz natural e diminuindo a utilização de equipamentos que consomem muita energia, como chuveiros elétricos, condicionadores de ar e ferros de passar.

“Não possuo chuveiro em casa nem micro-ondas. Apenas um tanquinho que lavo roupa de 15 em 15 dias, uma geladeira e uma televisão. A conta, que era R$ 112, passou para R$ 300. Está muito difícil sobreviver com apenas a pensão de um salário mínimo que recebo. Crio sozinha sete filhos e quatro netos e está ficando tudo cada vez pior. Não sei aonde vamos chegar com valores tão altos”, lamenta a dona de casa Telma da Silva Maia, de 43 anos.

Nesta quarta-feira, dia em que começou a valer o novo aumento, ela foi à agência da Cemig reclamar do valor da conta e ver o que poderia ser feito.

Lá, se encontrou com a vendedora Janete Clea Mariana da Silva, de 43 anos, que também não sabe mais como equilibrar as contas.

“A luz aumentou demais. Eu pagava em torno de R$ 100 e praticamente dobrou para R$ 200. O dinheiro mal está dando para comprar comida”, diz a comerciante de verduras e legumes. Janete foi pedir a inclusão na tarifa social, alegando que as vendas caíram muito e não tem mais como arcar com todas as despesas.

*Com Leonardo Queiroz e Agência Brasil