Em meio à explosão de casos de dengue, Minas vai precisar redobrar o cuidado contra mais uma doença transmitida por mosquitos. A febre do mayaro, enfermidade com sintomas idênticos à chikungunya, teve os três primeiros casos no Rio de Janeiro confirmados nesta semana. Para especialistas, a chegada do vírus a território mineiro é “questão de tempo”, uma vez que o Estado tem todas as condições propícias para a proliferação do vetor.

O vírus de origem africana é comum na região amazônica do país e já havia causado surtos em cidades como Belém, no Pará. No entanto, até então, não havia sido detectada a presença do agente na região sudeste. 

Incapacitantes, os sintomas da doença são marcados por febre alta e dores fortes nas articulações. Um quadro que, em casos mais graves, pode se prolongar por semanas, uma vez que o tratamento é feito apenas com analgésicos e antitérmicos. 

Para o virologista e professor da UFMG Flávio Guimarães da Fonseca, apesar da inexistência de dados oficiais que confirmem a circulação do vírus em Minas, não há como garantir que ele já não esteja aqui. 

“Há um fluxo enorme não apenas de pessoas, mas de cargas indo e voltando do Norte do país diariamente. Esse é o caminho natural para que o mayaro tenha chegado até nós”, explica Fonseca, que também não descarta a hipótese de que outras arboviroses (doenças transmitidas por mosquitos) possam adentrar o Estado mais cedo ou mais tarde. 

“Na região Norte, o oropouche, que tem sintomas parecidos com a dengue, já está em quarto lugar na lista de enfermidades que mais causam problemas. Não demora para que ele chegue aqui em Minas”, diz o virologista. 
 
DISPERSÃO
Médica e pesquisadora em saúde pública da seção de arbovirologia do Instituto Evandro Chagas (IEC), Socorro Azevedo explica que o órgão tem percebido a dispersão do mayaro pelo país. 

“A possibilidade de proliferação existe onde há condições necessárias: ter o mosquito transmissor ou pessoas portadoras do vírus, e Minas já é um local onde outras arboviroses ocorrem”, diz. 

A doença é causada pelo vírus mayaro, transmitido principalmente pelo mosquito Haemagogus. Ele vive em matas e vegetações à beira dos rios. 

Por nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que, até o momento, não há registro do vírus mayaro em Minas. Reforçou, no entanto, “que as ações para conter as arboviroses são permanentes, sendo as mesmas direcionadas no controle da dengue e febre amarela.