Fevereiro atípico e que deixa muitas famílias em alerta em Montes Claros. Dados do Inmet apontam que a média histórica de chuvas no mês é de 115,7 mm. Até ontem, porém, já havia chovido 313,8mm, mais que o dobro. No último fim de semana, temporais causaram vários estragos no município. E a previsão é de mais chuva para os próximos dias. 

O nível de água na Barragem de Caatinga, que fica entre Engenheiro Dolabella e Joaquim Felício, subiu a níveis preocupantes. De acordo com a Tenente Coronel Gracielle Rodrigues, coordenadora adjunta da Defesa Civil do Estado, “houve aumento do nível do reservatório que resultou na emissão da declaração, pelo Incra, de situação de emergência em nível 2 de resposta”. Hoje órgão faz vistoria no local junto com técnicos do Igam. 

O meteorologista Ruibran dos Reis explicou que na segunda quinzena de janeiro e início de fevereiro houve uma forte onda de calor em todo o Estado e especialmente no Norte de Minas. A massa de ar quente bloqueou a chegada de frentes frias e dificultou a formação das chamadas chuvas de verão. 

Em 6 de fevereiro uma frente fria se formou no Sul do Brasil, avançou ao longo do litoral e convergiu umidade da Amazônia no sentido do oceano Atlântico.

“A partir daí se formou o fenômeno Zona de Convergência do Atlântico Sul, a famosa ‘ZCAS’, que está atuando desde a semana passada, influenciando principalmente as regiões Norte, Nordeste e Zona da Mata Mineira”, pontuou o especialista. 

“Essa ZCAS acabou trazendo forte chuva para Montes Claros e todo o Norte do Estado. Começa a enfraquecer a partir de hoje, mas devido ao calor e a disponibilidade de umidade, as chuvas do fim de tarde vão continuar até o fim de semana. Há a previsão da chegada de nova frente fria à Minas Gerais no início da próxima semana no Norte de Estado, então vamos ter um final de fevereiro e início de março chuvoso em todo a região”, explicou.
 
ESTRAGOS 
No último fim de semana, temporais transformaram em mar de lama ruas sem sistema de drenagem adequado. No centro da cidade, uma árvore centenária caiu, em frente à Igreja do Rosário, conhecida como a Igreja dos Catopès, sobre uma galeria de lojas e interditou parte da Avenida Afonso Pena. Felizmente, o comércio estava fechado e havia pouco movimento no local. 

A Lagoa do Parque Municipal Mílton Prates transbordou e alagou algumas ruas no entorno, no bairro Morada do Parque. De acordo com o secretário Anderson Chaves, da Defesa Civil, a Lagoa não oferece risco aos moradores.

“Foi um volume significativo de chuvas e com a limpeza das taboas parte delas desceu e acumulou no primeiro dreno que temos aqui. Temos um outro dreno de segurança logo abaixo. Em função desse acúmulo de taboas, houve o transbordo das águas. A secretaria de Meio Ambiente já fez a limpeza do local e os moradores podem ficar tranquilos que não há risco. A área está sendo monitorada”, disse o secretário.

Na tarde do último sábado, moradores da Rua Petrópolis, na Vila Regina, acionaram o Corpo de Bombeiros, com medo de enchentes, o que não ocorreu. Eles receberam orientações com relação aos procedimentos em caso de alagamentos.

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros fizeram atendimento de ocorrências nos Bairros Alto da Boa Vista e Independência. Neste último as águas invadiram algumas residências e moradores perderam móveis e utensílios. 

De acordo com a Defesa Civil, foi disponibilizado um abrigo para acolher temporariamente estes moradores, mas eles optaram por ficar na casa de parentes.
 
REGIÃO
A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) diz que a situação na região, bem como na Barragem de Três Marias, está sob controle.