As mortes de gestantes por complicações da Covid-19 mais do que dobraram em Minas neste ano. Com a circulação de variantes do coronavírus altamente contagiosas e perigosas, grávidas ficaram mais vulneráveis, principalmente pela mudança no perfil dos doentes, que são cada vez mais jovens.

O crescimento da mortalidade preocupa especialistas, que alertam para a necessidade de atenção maior ao pré-natal e até a possibilidade de rever se esse não é o momento de adiar o sonho da maternidade.

Em apenas quatro meses, 39 mineiras que iriam dar à luz perderam a vida após testarem positivo para o coronavírus, um aumento de 129,4% em relação a 2020 – que teve 17 óbitos. Os números são da Secretaria de Estado de Saúde. Conforme a pasta, 2.338 grávidas foram infectadas em Minas, sendo 1.197 em 2021.

Além da necessidade por assistência ventilatória, já que a gravidez dificulta a respiração da mãe por conta das restrições de expansão pulmonar, existem mais chances no desenvolvimento de trombose, uma das sequelas da Covid-19.

“A gravidez e o pós-parto são momentos que têm um risco maior. Se associarmos isso à Covid, é um fator complicador”, afirmou o médico Agnaldo Lopes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A falta de acesso a tratamentos adequados para o coronavírus é apontada como uma das principais causas do crescimento de mortes entre as gestantes.

Segundo o especialista, muitas pacientes com a forma grave da doença não tiveram acesso às UTIs no Brasil. “O problema é a estrutura do sistema de saúde. Se uma pessoa morreu e não foi intubada, não teve acesso à terapia intensiva, vemos que houve uma falha por colapso no sistema”.
 
VACINAÇÃO
Conforme o ginecologista, é necessário que a mulher mantenha os cuidados de pré-natal e o calendário vacinal atualizado para ter mais segurança durante a gestação. Na pandemia, observou-se uma redução nos cuidados com a saúde e a prevenção das doenças, o que é considerado pelo médico um problema grave. 

Vale ressaltar, porém, que apenas as grávidas com comorbidades estão inseridas no Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Mas, mesmo assim, sem previsão de quando receberão as doses.
 
GESTAÇÃO
Por conta do aumento do número de mortes de gestantes, surge a dúvida se este é o momento para se adiar o sonho da maternidade. Para Agnaldo Lopes, a mulher precisa avaliar uma série de aspectos antes de tomar a decisão. 

“É óbvio que a pandemia tem que ser considerada, mas dentro de um contexto muito maior. Temos que levar em consideração a idade, o risco de a mulher ter uma infecção por Covid. Isso deve ser discutido com o obstetra”.

Em Montes Claros, não há um levantamento sobre grávidas vítimas da Covid. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, esse levantamento não foi feito por não se considerar a gravidez uma comorbidade. A pasta informou que ficou sabendo apenas que duas vítimas fatais da Covid estavam grávidas.