A disparada no número de bebês vítimas da Covid-19 preocupa e lança novo alerta às famílias mineiras. Os óbitos dos menores de 1 ano cresceram mais de 70% em março. Desde o início da pandemia, foram 19 vidas perdidas, sendo oito no mês que terminou ontem. Um dos motivos para o salto é a chegada das novas cepas do vírus, agressivas e altamente contagiosas.

Enquanto as mortes das crianças aumentaram 72,7% nos últimos 31 dias, as demais, de todas as faixas etárias, cresceram 31%. O levantamento foi feito com bases nos boletins epidemiológicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A pasta, no entanto, não divulga informações sobre a idade exata dos bebês, sexo e município onde residiam.

Em Montes Claros, segundo boletim divulgado pela secretaria local, o único registro de morte entre crianças foi há meses. Mesmo assim, o documento não deixa claro a idade: afirma apenas que foi uma vítima na faixa de zero a 9 anos. Entre os adolescentes, houve também uma morte, na faixa de 10 a 19 anos.

Segundo dados do município, até esta quarta-feira a cidade registrou 184 (0,7%) casos confirmados de Covid entre bebês menores de 1 ano; 571 na faixa de 1 a 9 anos (2,2%); e 1.313 (5%) entre 10 e 19 anos. No Norte de Minas, o balanço semanal indica que entre os menores de 1 ano a taxa de mortalidade é de 0,29%, mas não informa o número absoluto de vítimas.
 
SEM VACINA
O crescimento de casos entre crianças soa o alarme para ampliar os cuidados com esse público, que até então era considerado “mais resistente” ao novo coronavírus. E o agravante é que ainda não há uma vacina recomendada e aprovada por órgãos de saúde para ser aplicada nos pequenos. Faltam estudos que atestem a segurança das doses.

Na semana passada, a Pfizer informou que iria iniciar testes em menores de 12 anos. Ontem, a empresa informou que a dose foi 100% eficaz em jovens de 12 a 15 anos. Porém, a previsão é a de que a ampliação da imunização ocorra só em 2022.

Sem o principal escudo capaz de barrar o contágio do vírus, pais e mães devem se manter atentos e seguir com a quarentena, evitando situações de risco, para proteger os filhos. Vale reforçar que a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso de máscaras por crianças com menos de 2 anos.

Outro alerta aos pais é com relação aos sintomas da Covid-19 nos mais jovens. Segundo a infectologista Lilian Diniz, que integra a Sociedade Mineira de Pediatria, a manifestação da doença tem se mostrado diferente do que ocorre nos adultos.

Diarreia, dor na barriga e vômito, que não são sintomas respiratórios, têm sido percebidos, assim como o nariz escorrendo. Manchas na pele também podem ocorrer. No entanto, novamente é preciso atenção redobrada, pois, apesar de raro, esse pode ser um sinal da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), associada à Covid-19.