O anúncio de que a balança para pesagem de veículos de carga pode voltar a funcionar na BR-135, em Mirabela, mexeu com a população da pequena cidade de 13 mil habitantes. Os moradores não concordam com a reativação do equipamento, alegando que o movimento de caminhões aumenta – porque buscam atalhos para escapar da pesagem –, atrapalhando a rotina local e ainda causando danos ao patrimônio histórico e a imóveis que ficam na área usada pelos veículos.

O sistema de fiscalização em Mirabela é um dos 42 pontos cuja retomada de funcionamento está em estudo pelo Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais (DER). No momento, apenas quatro balanças estão em operação no Estado.

As balanças de pesagem são utilizadas em pontos onde a circulação de veículos de carga é intensa. Caso não haja excesso, mas uma má distribuição do peso, os motoristas são orientados a reorganizar a carga. Quando há excesso, ela é retida.

Para os moradores de Mirabela, a cidade teve que conviver com vários problemas durante o período em que a balança esteve ativa. Eles alegam prejuízos no comércio e estragos nas ruas, incluindo prédios históricos.

“Eu já vi essa história, já vivi esse filme e há alguns anos voltamos a ter tranquilidade. Na época que havia a balança aqui, não tínhamos sossego”, diz a professora Hélvia Aquino, que reside na área onde os veículos buscam atalho para escapar da pesagem.

“Temos crianças brincando nas ruas. Pessoas dormiam nos veículos na porta de casa e outros que passavam em alta velocidade quebravam a fiação. São carretas enormes e a cidade não tem estrutura para receber estes veículos que entram aqui para fugir da pesagem. Os danos são muitos. Ficamos vulneráveis”, alerta.

Segundo a professora, as reformas nas casas eram frequentes devido às rachaduras provocadas pelo tráfego dos veículos pesados.

O prefeito Luciano Rabelo, atendendo ao apelo da população e ciente dos possíveis danos, tenta encontrar uma saída. Para isso, esteve reunido com deputados e com o DER em Belo Horizonte. “Não temos estrutura, nem financeira nem de máquinas, para suportar os estragos e os prejuízos advindos deste controle”, diz o prefeito.
 
REUNIÃO
Para tentar encontrar uma solução, o prefeito vai se reunir, no próximo dia 8,em Belo Horizonte, com os gestores do DER. Caso não haja uma desistência do órgão, algumas solicitações já foram listadas pelo prefeito para minimizar o impacto.

“Solicitamos a construção da rotatória na frente da prefeitura, rotatória no trevo da Nestlé, quatro passagens elevadas no perímetro urbano, a liberação para instalação de portais na cidade e, principalmente, que a mão de obra contratada para trabalhar na balança seja de Mirabela”, enumera o prefeito.

A assessoria de comunicação do DER, em retorno à reportagem, confirmou que está concluindo os estudos para reativar as atividades das praças de pesagem no Estado, dentre elas, a instalada na BR-135, em Mirabela. 

“Cabe destacar que a fiscalização do peso das cargas transportadas nas rodovias mineiras sob a jurisdição do DER-MG tem como objetivo inibir o desrespeito à legislação, impedindo que o tráfego de veículos com excesso de peso utilizem as rodovias estaduais e danifiquem um patrimônio que é público e colocando os demais usuários do sistema viário em risco”, informa o DER.