Minas Gerais já registra a circulação de 13 cepas do novo coronavírus. As mutações preocupam especialistas e autoridades. Pelo pouco que se sabe, é possível cravar que algumas são mais agressivas e altamente contagiosas, o que contribui para o aumento das internações. Além disso, a eficácia das vacinas contra essas cepas não está completamente comprovada.

Segundo levantamento feito pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), as 13 variantes que circulam no Estado foram atestadas após análise de 258 amostras. Duas delas são consideradas “de atenção”. São elas a B.1.1.7, do Reino Unido, e a P.1., de Manaus.

A cepa britânica, identificada em 2020, ofereceria uma risco estimado 64% maior de morte, conforme pesquisa feita no Reino Unido. Ela foi associada a 227 óbitos em uma amostra de 54.906 doentes, enquanto 141 pessoas morreram entre o mesmo número de infectados com variantes anteriores.

Já a cepa encontrada primeiramente em Manaus se espalhou rapidamente pelo país com a transferência de pacientes em estado grave da capital amazonense, após colapso no sistema de saúde local. Minas, inclusive, recebeu doentes de lá. 

Neste caso, adultos contaminados têm uma carga viral dez vezes maior. Isso acontece porque a mutação alterou uma proteína do coronavírus.
 
AUMENTO DE CASOS
Em Montes Claros, já foi detectada a presença de novas cepas, inclusive a de Manaus, o que explicaria o grande aumento de casos e mortes por Covid na cidade nos três primeiros meses deste ano, com destaque para março, com vários recordes diários.

De acordo com balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, Montes Claros soma 29.801 casos confirmados da doença – alta de 368 em 24 horas – e 684 mortes – cinco a mais no mesmo período.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a circulação das “novas versões” do vírus também contribuiu para as mudanças no funcionamento das cidades.

O Estado determinou que todos os municípios mineiros se enquadrassem na “Onda Roxa” a partir de 17 de março. Montes Claros permaneceu nessa fase de 7 de março a 11 de abril. Outras 12 das 14 macrorregiões de Minas ainda estão nesta fase restritiva.

“É um cenário nunca antes vivido. É o pior momento da pandemia, muito vinculado às novas cepas que vêm circulando no Estado. Diante disso, foi determinante a implementação da ‘Onda Roxa’”, afirmou o secretário, em recente entrevista.
 
NO BRASIL
Em um outro estudo, divulgado em 5 de abril, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou que há 92 variações do vírus no Brasil, desde o início da pandemia. Os dados foram sequenciados pela própria fundação em parceria com outros institutos.

Os resultados preliminares de um estudo feito com mais de 67 mil trabalhadores da saúde de Manaus mostram que a CoronaVac tem 50% de eficiência na prevenção da doença após 14 dias da primeira dose. A pesquisa, do grupo Vebra Covid-19, é a primeira a avaliar a eficácia da vacina em um local onde a P.1. é predominante. 

Mais 1 milhão de doses
O Instituto Butantan entregou ontem, ao governo federal, mais 1 milhão de doses da CoronaVac. Com esse novo lote, o Instituto Butantan disponibilizou 40,7 milhões de doses da vacina ao governo federal. Isso corresponde a 88,4% de um total de 46 milhões de doses contratuais que devem ser entregues à União até 30 de abril. Um segundo contrato prevê a entrega de mais 54 milhões de doses até o final de setembro.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que o restante das doses a serem entregues vai depender de insumos provenientes da China, que ainda não chegaram ao país. A expectativa é a de que 3 mil litros de insumo, suficientes para fabricar 5 milhões de doses da vacina e inicialmente previstos para serem entregues na primeira semana de abril, cheguem a São Paulo somente em 19 de abril. Desta forma, as doses para completar as 46 milhões previstas no primeiro contrato, para 30 de abril, só serão entregues no começo de maio.
*Com Agência Brasil