Minas assume restauração do vapor Benjamim Guimarães

Trabalhos estão parados há um ano por falta de repasse federal

Da Redação*
O NORTE
19/01/2022 às 00:50.
Atualizado em 21/01/2022 às 12:16
 (egnaldo barbosa/divulgação)

(egnaldo barbosa/divulgação)

Depois de ver um dos mais importantes patrimônios mineiros ameaçado pela falta de repasse de verba federal para restauração e pelas chuvas, o governo de Minas assume integralmente a recuperação do vapor Benjamim Guimarães, em Pirapora.

Como O NORTE mostrou na edição da última quinta-feira (13), a embarcação corre o risco de tombar após as águas do rio São Francisco atingirem o local onde o vapor foi colocado para ser revitalizado. Como os trabalhos foram paralisados no início de 2021, por falta de verba, o casco está com buracos que favorecem a entrada de água.

Em uma medida emergencial, a Prefeitura de Pirapora realizou o escoramento do barco, com o uso de estacas de madeira. No entanto, se o nível do rio subir muito – o que é provável, por causa da abertura das comportas da Usina Hidrelétrica de Três Marias –, as escoras podem não dar conta de manter o barco em segurança.

A partir de agora, a restauração do vapor fica a cargo exclusivamente da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG).

Até então, o projeto era resultado de uma parceria entre o Iepha e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo o governo, a decisão foi tomada em função da falta de repasses de recursos financeiros por parte do Iphan. O Iepha estava, por meio do convênio, encarregado pela contratação e execução da obra.

De acordo com o governo de Minas, em breve serão divulgados orçamentos e novo cronograma para a continuação da recuperação do Benjamim Guimarães.
 
HISTÓRICO
O projeto de restauração do vapor Benjamim Guimarães foi aprovado pelas duas instituições em 2019 e a obra foi iniciada em 2020. Segundo nota do Iepha, o primeiro repasse financeiro realizado pelo Iphan ocorreu no início de 2021 e foi utilizado no pagamento dos gastos iniciais dos serviços contratados pelo instituto estadual.

Contudo, no princípio de 2021, os repasses cessaram para ajustes técnicos e administrativos entre as instituições. Com isso, foi necessário suspender a obra temporariamente. O Iphan não respondeu até o fechamento desta edição.

EMERGÊNCIA
Ações emergenciais foram realizadas na última semana para tentar proteger o vapor da alta do nível do rio São Francisco. Corpo de Bombeiros, Marinha do Brasil e a Prefeitura de Pirapora, com orientação e acompanhamento do Iepha, instalaram escoras para evitar deslocamentos laterais da embarcação, intervenções no casco para permitir a passagem da água e evitar flutuação irregular, e reforço do cercamento no perímetro da embarcação, com o objetivo de reduzir a velocidade da água.

Mais de 100 anos pelas águas do Velho Chico
O Benjamim Guimarães foi construído em 1913 pelo estaleiro norte-americano James Rees e Sons e navegou alguns anos no rio Amazonas, sendo transferido para o rio São Francisco a partir de 1920. Transportou turistas pelo rio, sendo o único em funcionamento.

Com capacidade para transportar até 140 pessoas, entre tripulantes e passageiros, ao vapor é permitido navegar em rio, lago e correnteza que não tenham ondas ou ventos fortes. O tombamento estadual foi aprovado em 1985 com inscrição no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

Como características construtivas, o bem cultural é uma embarcação fluvial de popa quadrada, com máquina à vapor de 60 cavalos de potência alimentada por lenha, e com uma capacidade máxima de estocagem de 28 toneladas de combustível. O sistema de propulsão é o de roda de pás localizado na popa, capaz de atingir até 6,5 nós de velocidade máxima. O peso descarregado é de 243,42 toneladas, podendo ainda ser acrescido de mais de 66 toneladas. Possui 43,85 metros de comprimento total e 7,96 metros de largura.

O vapor é um dos últimos no mundo e tem sua história relacionada diretamente ao processo de implantação da navegação comercial no rio São Francisco entre a segunda metade do século 19 e meados do século 20, participando como referência fundamental na paisagem do rio e na memória cultural coletiva local, regional e nacional. Por recomendação da Capitania dos Portos, teve suas atividades interrompidas em 2015 e, desde então, aguarda recuperação da estrutura para retomar as atividades.

*Com Agência Minas

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