Agnaldo Gonçalves saiu de um povoado na zona rural de São João da Ponte para tentar uma vida melhor em Montes Claros. Depois de muita dificuldade para conseguir se firmar em algum trabalho, resolveu retomar as raízes, transformando o quintal de casa em uma verdadeira lavoura, com plantação de diversos tipos de hortaliças. 

Agnaldo não é o único que vive nessa situação em Montes Claros, o que acabou formando uma nova categoria profissional. Pesquisa desenvolvida pela UFMG mostra que pelo menos 60 famílias atuam como produtores urbanos – prática da agricultura que auxilia na composição de novas ruralidades no ambiente urbano.

A produção de hortaliças, leguminosas, frutas e grãos são as mais comuns no centro urbano de Montes Claros. A pesquisa, que está sendo desenvolvida pelo mestre em administração rural Helder dos Anjos Augusto, tem o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas para o setor.

De acordo com o pesquisador, o mapeamento já está em fase final, com contato direto com os agricultores – muitos deles são migrantes, de origem rural. 

“Quando eles vêm para o ambiente urbano, acabam mantendo os princípios culturais, como o contato com a terra e a natureza. Isso se intensifica quando não conseguem se firmar em algum emprego fixo. Estamos chamando de novas ruralidades em ambientes urbanos. Esses agricultores não são indivíduos aventureiros, são pessoas que possuem algum laço com o uso do solo”, explica Helder, graduado em administração rural e doutor em demografia.

Segundo o pesquisador, a agricultura urbana e periurbana vem ganhando espaço no cenário nacional, mundial e já começa a ser introduzida na agenda política de diversas cidades do Brasil. O projeto ainda está em andamento e a expectativa é a de que sejam encontradas mais de cem famílias atuando como produtoras urbanas até o fim do estudo.

Além do mapeamento, a metodologia busca identificar os tipos de plantações que estão sendo cultivadas no centro urbano, as características do agricultor, para depois aperfeiçoar a prática.

No final da pesquisa, será apresentado aos poderes públicos municipal e estadual o relatório conclusivo para viabilizar políticas voltadas para este tipo de agricultor.

Uma ‘roça’ urbana
Agnaldo Gonçalves, de 39 anos, se mudou para Montes Claros após a morte do pai e a necessidade de levar a mãe para fazer tratamentos de saúde na cidade. A expectativa era a de oferecer uma vida melhor para a mãe, a esposa e as três filhas.

“Não consegui nada fixo. A única oportunidade ofertada na cidade é o ramo da construção civil. O emprego é instável, não é todo dia que tem trabalho. Como sempre ajudei meus pais na lavoura, resolvi voltar às minhas origens. Hoje, toda minha família ajuda. Só que agora a ‘roça’ está dentro da cidade”. 

No Distrito Industrial, eles plantam diversas hortaliças e vendem em feiras livres, sacolões, mercados e na própria casa, onde os vizinhos vão para comprar os produtos colhidos na hora.

Porém, o agricultor não consegue expandir o negócio devido à burocracia. “Por isso precisamos que alguém nos ajude para que possamos trabalhar dentro dos conformes”, destaca o produtor urbano. 

Segundo o pesquisador Helder dos Anjos, o agricultor urbano produz para consumo próprio e para comercialização em feiras livres, verdurões, mercearias e outros mercados.

Bairros com atuação de produtor urbano em MOC
Morada do Parque
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Recanto das Águas
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Castelo Branco
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