O Norte de Minas pode ganhar uma delegacia móvel especializada em crimes na zona rural. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), há projetos em elaboração, com análise de viabilidade técnica e econômica, para sanar as demandas do interior do Estado, e uma delas inclui a unidade móvel.

A novidade vem ao encontro da Lei 22. 923, de 12 de janeiro de 2018, de autoria do vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB), e dos deputados Fabiano Tolentino (PPS) e Sargento Rodrigues (PDT). O texto prevê a criação da delegacia especializada para combater os crimes no campo.

A delegacia móvel contribuiria para o cumprimento da lei, em um momento em que o Estado, em crise financeira, passa por reformulação. O objetivo, segundo Arantes, é coibir e investigar delitos, além de desarticular quadrilhas especializadas em ações na zona rural que quase sempre atuam com brutalidade e aproveitam da falta de segurança para agir e fugir.

“Crimes no campo se disseminaram no Brasil inteiro, principalmente em Minas Gerais. É muito mais fácil roubar um produtor rural. Vai lá, rouba um trator, uma máquina e faz dinheiro. Rouba gado. O problema é a violência: os caras batem, machucam e matam muitas vezes. Agora, com esta delegacia, eu espero dar um basta nisso”, afirma.

O deputado comemora o fato de a Polícia Civil já contar com a Delegacia Especializada em Investigação e Repressão a Crimes Rurais (Deicra), que atende todo o Estado, com sede na capital mineira. A unidade atua para coibir delitos – furto, roubo, extorsão e receptação – praticados em área rural. “Essa unidade já vem ajudando também no interior, em Montes Claros, Uberlândia e Uberaba. É sucesso e vem pegando muitos bandidos”, completa.  
 
NÚMEROS
O número de furtos e roubos caiu na zona rural de Montes Claros. No primeiro trimestre, foram 125 furtos em 2018 e 104 em 2019. Os roubos passaram de 29 para 12.

A queda não anima a vereadora Graça da Casa do Motor (PHS). Ela diz que boa parte dos crimes não é registrada, já que a maioria das vítimas tem que se deslocar até a cidade para registrar o Boletim de Ocorrência. “Muitas vezes acontece um crime e os moradores da zona rural não têm nem sinal de telefone para comunicar à polícia”.