Cerco ainda mais fechado ao transporte clandestino. Está em vigor desde ontem uma lei federal que endurece a fiscalização aos chamados perueiros. Pela nova regra, a multa para quem for flagrado conduzindo passageiros sem autorização mais que dobra e o veículo irregular é rebocado. Em Minas, de janeiro a setembro, 1.110 infrações foram registradas.

O número, no entanto, leva em conta apenas as autuações aplicadas pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DEER-MG). Em Montes Claros, o serviço é oferecido de forma intensiva no entorno da rodoviária da cidade, tanto por motoristas com carros de passeio quanto por empresas com ônibus novos e bem equipados.

No primeiro semestre deste ano, segundo a Coordenadoria Regional de Montes Claros do DEER-MG, as fiscalizações já foram intensificadas. Foram 386 ações realizadas nas rodovias da região – o que equivale a uma média de 64 operações por mês. Em 2018, durante todo o ano, foram 489 fiscalizações – média de 40 por mês.

Com o cerco mais pesado ao transporte irregular, também cresceram as autuações – foram 132 multas aplicadas neste ano, o que dá uma média de 22 por mês, contra 236 em 2018 (média de 19 por mês). Além disso, 12 veículos foram apreendidos no primeiro semestre deste ano – em todo o ano passado foram recolhidos cinco.

Para especialistas, o rigor é positivo, desde que venha acompanhado de operações rotineiras nas ruas e estradas. Insatisfeitos, os motoristas que atuam no Estado prometem organizar manifestações. “Vai afetar muitos trabalhadores. Alguns pensam em desistir, mas vamos enfrentar o governo com protestos”, disse Daniel Silva, um dos representantes da Associação dos Motoristas Autônomos em Transportes de Passageiros (Amatrans). Ele revela ter uma van e oferecer viagens em cidades da Grande BH.

Segundo o representante, muitos estavam desempregados. “Em Minas, somos mais de 5 mil. Prendendo os carros, muita gente vai passar fome”, alega Silva, que garantiu que as manifestações serão realizadas com “ordem”. “Não queremos ficar com uma imagem ruim junto à população”, diz.
 
REGULAMENTAÇÃO 
Diretor de fiscalização do DEER, Anderson Tavares disse que, ao contrário do que argumentam os transportadores, a legislação não pretende retirar o sustento das famílias. Quem não quiser sofrer as sanções, afirma, pode procurar o órgão para se regularizar. Uma das opções é o cadastro de uma empresa para fretamento de viagens.

“Com a inspeção, nós esperamos ter mais transportadores na legalidade, um controle maior dos veículos que estão circulando, garantindo, assim, mais segurança viária”, afirmou. Professor de engenharia de transporte e trânsito, Márcio Aguiar lembra que é preciso melhorar, também, a qualidade do transporte público.

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