Os meses de março, abril e maio foram críticos para os trabalhadores norte-mineiros. No auge do isolamento social e do fechamento das empresas por causa da ameaça do novo coronavírus, mais de 5 mil pessoas perderam o emprego.

A redução de vínculo empregatício, conforme pesquisa realizada pelo Observatório do Trabalho do Norte de Minas (OTNM), foi de 603 postos em março comparado a fevereiro, 3.232 em abril em relação a março e de 1.351 em maio em comparação a abril.

O quadro só não foi pior no primeiro semestre porque houve criação de vagas em fevereiro em comparação a janeiro e, em junho, em relação a maio.

As cidades que mais tiveram demissões foram Montes Claros (2.487), Janaúba (644), Porteirinha (357) e Salinas (321). E a maioria dos novos desempregados está na faixa etária de 25 a 29 anos. 

“É possível observar que o maior saldo negativo nesse período ocorreu em abril, seguido de maio. Os dados do mês de junho demonstram uma pequena recuperação dos empregos. No semestre, por enquanto, ainda é possível observar uma diferença entre admissões e desligamentos que totaliza 4.155 vínculos formais perdidos – uma baixa de 2,45% no total de postos de trabalho que estavam ocupados no início de janeiro”, explica Roney Versiani Sindeaux, professor e coordenador do Observatório do Trabalho.
 
EVOLUÇÃO
Em janeiro deste ano, o total de ocupações formais no Norte de Minas era de 169.434 vínculos. Em fevereiro, houve uma alta, chegando a 170.205 vagas ocupadas, uma variação positiva de 0,45%.

Em março, começa a trajetória de redução, já impactada pela quarentena determinada pela pandemia – houve uma retração de 603 vagas de trabalho em relação a fevereiro (-0,35%), movimento que se intensificou em abril: perda de mais 3.232 vínculos nos postos de trabalho formais, o que representa uma queda de 1,9% em relação ao mês anterior. Em maio, a retração continuou, com perda de 1.351 postos formais de emprego – redução de 0,81%.

A pesquisa mostra que, em junho, os trabalhadores norte-mineiros tiveram um fôlego, com a criação de 348 vagas em relação a maio, fechando o mês com 165.367 vínculos formais ocupados. 
 
MONTES CLAROS
Maior cidade do Norte de Minas, Montes Claros acaba também sendo o município que registra as maiores perdas financeiras em momentos de crise, como este provocado pelo novo coronavírus.

No município, líder nos desligamentos, o índice de admissões ficou em 45,8% neste primeiro semestre, superado pelas demissões, que chegou a 47,8%. 

“Tal situação é compreensível, considerando que em Montes Claros, nesse semestre, se concentraram em média, 46,6% do total de vínculos formais ocupados no Norte de Minas”, pondera Sindeaux.

Uma das vítimas desse período de incertezas é Antônio Duarte, que estava há seis meses trabalhando em uma gráfica. Ele prestava o serviço de atendimento ao cliente, porém, com a pandemia pelo novo coronavírus, a empresa, inicialmente, fechou as portas. E, quando reabriu, manteve apenas quatro dos sete funcionários. 

“Fui demitido em maio. A empresa achou que daria para manter todos os funcionários, porém a demanda foi reduzida e, com o tempo fechada, não aguentou pagar a folha. Eu já esperava que haveria cortes e, por eu ser um dos funcionários mais novos, tiveram que me demitir. Agora, é esperar isso passar para tentar novamente. Meus ex-chefes até me disseram que se as coisas melhorarem, me chamam de volta”, conta.