Montes Claros e o Norte de Minas viverão sob o lockdown por mais uma semana. A decisão de manter a região e outras 12 na “Onda Roxa” foi divulgado ontem pelo governo de Minas em função da falta de impactos nos números da Covid-19. A notícia pegou montes-clarenses de surpresa, que acreditavam no fim das restrições a partir de segunda-feira, mesmo após a cidade registrar recorde de novos casos nesta terça-feira (561).

A fase mais restritiva do plano estadual de combate ao coronavírus, que permite apenas o funcionamento do comércio essencial e estabelece toque de recolher das 20h às 5h, foi estendida até 11 de abril. 

“Sobre a prorrogação, a notícia para nós é muito ruim. Recebemos muitas ligações de comerciantes afirmando que já não têm mais dinheiro para pagar salário de funcionários, aluguel e seus compromissos. Como fomos apanhados de surpresa, ainda estamos ouvindo os empresários, mas já acionamos a Federação com os pleitos da região para tentar ver o que a gente consegue. Isso tira toda a previsibilidade dos pequenos e médios comerciantes que já estão fechando as portas”, lamenta Ernandes Ferreira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros.

Ele afirma que já conversou ontem com dois secretários municipais e colocou a demanda da categoria novamente em pauta. “Pontuamos a importância de os comerciantes voltarem a trabalhar com a loja aberta, com balcão ou anteparo na porta, porque isso já ajuda o comerciante nas vendas e entra no caixa o dinheiro do dia para salvar as pequenas contas. O decreto do município vence no domingo e, pela ‘Onda Roxa’, essa medida é permitida. Temos essa expectativa”, diz Ernandes.

BARES E RESTAURANTES
A prorrogação do lockdown vai agravar ainda mais a situação dos empresários, principalmente os do setor de eventos, avalia o presidente da Abrasel Norte, Rodrigo de Paula. Segundo ele, há uma expectativa de 150 mil desempregados na cidade na cadeia que envolve o setor de bares, restaurantes e eventos, entre funcionários e colaboradores.

“Já que houve a prorrogação da ‘Onda Roxa’, a gente espera pelo menos que a prefeitura libere a entrega de marmitex no balcão para a pessoa vir pegar na porta. Isso facilitaria”. O dirigente da Abrasel diz que há muita gente sem trabalhar, sem renda. “Esperamos bom senso por parte do município, que haja pelo menos a flexibilização”, diz.

Por outro lado, parte da população que está exposta diariamente à contaminação pelo coronavírus acredita que quanto menos gente nas ruas, melhor. 

“A medida é necessária, mas torna-se sem efeito dependendo da função que a pessoa exerce. Eu, por exemplo, estou no serviço essencial e tenho que pegar transporte coletivo. Então, continuo correndo riscos”, diz A.R..

Para o prefeito de Janaúba, José Aparecido Mendes, o momento é de união e de cumprimento das regras para amenizar os efeitos da pandemia. Ele reforçou que o município está cumprindo na íntegra a “Onda Roxa”.

“Nós não queremos ver a Polícia Militar, a Vigilância Sanitária e os fiscais de postura do município tendo que fazer qualquer coisa com quem esteja aberto. Prefeito nenhum está satisfeito com essa situação. Sempre quis estar onde estou, mas para fazer as coisas acontecerem para a população e não para restringir”, destaca.

Ele explica que a prefeitura soltou uma nota explicativa sobre o decreto e as atividades não essenciais só poderão funcionar de portas fechadas, sem atendimento ao público. “O momento é de união com o objetivo principal de salvar vidas”, afirma, reiterando que a população deve respeitar os protocolos sanitários e a determinação do governo.