A liberação da volta às aulas a partir de 5 de outubro, anunciada pelo governo de Minas na última quarta-feira, para escolas públicas e particulares em cidades que estão nas ondas Verde – caso de todo o Norte de Minas – e Amarela tem gerado polêmica e opiniões divididas. Há cidades que pretendem retomar as atividades letivas, como proposto pelo Estado, mas há outras que consideram prematura a volta dos alunos à sala de aula.

Fato é que o aval do governo mineiro surpreendeu e provocou uma mobilização de entidades e de gestores municipais para avaliar a situação e ver qual a melhor decisão a ser tomada. 

Até a próxima segunda-feira, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação de Minas Gerais (Undime-MG) vai se reunir com as secretarias de Educação de cada cidade, assim como os Comitês de Enfrentamento à Covid-19. A Undime-MG Regional de Montes Claros é responsável por 29 cidades. 

“Muitas cidades estão resistentes ao retorno, até porque, ainda não tem uma cartilha para seguirmos. A tendência da Undime é seguir a decisão do Estado, porém, precisamos ver a realidade dos municípios junto aos comitês de Enfrentamento à Covid-19”, pontua Jhonatan Gonçalves, presidente da Undime-MG Regional Montes Claros. 

Em Catuti, as aulas devem retornar. É o que aponta o prefeito José Barboza (Zinga), que ainda afirma que seguirá as decisões da Secretaria de Estado da Educação. “Vamos aguardar as instruções detalhadas e colocar em prática”, enfatiza o prefeito e diretor da Regional Norte da Associação Mineira dos Municípios (AMM). 
 
NORTE DE MINAS
A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) marcou para hoje uma videoconferência com os gestores das secretarias Municipais de Educação. Eles vão discutir a decisão do governo de Minas. O presidente da Amams, Lara Batista Cordeiro, prefeito de Ibiaí, solicitou ao Departamento de Educação um levantamento junto a todos os municípios filiados para direcionar o encaminhamento a ser dado pela associação. 

“Existem municípios querendo a retomada imediata das aulas e, outros, apreensivos diante do risco de alastramento da doença. Lembrando que cada prefeito tem autonomia para acatar ou recusar a autorização do Estado, observando os critérios sanitários em cada município”, ressalta o presidente. 

A maior preocupação do Departamento de Educação da Amams é com o espaço físico nas escolas. Com a exigência de 1,5 metro de distanciamento entre cada aluno, uma sala onde caberia 30 estudantes poderá receber apenas 15. Além disso, é preciso definir as estratégicas de como adequar essa situação para atender todos os alunos.

“Tem ainda a questão do transporte escolar, pois o Estado suspendeu o repasse aos municípios desde que as aulas foram paralisadas”, pondera Neiva Cássia, coordenadora do Departamento de Educação da Amams. 
 
PROFESSORES
Já o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Subsede Montes Claros, se posicionou contra a decisão do retorno às aulas presenciais. A classe acredita que “falta de planejamento e de apresentação de protocolos concretos para o retorno ainda gera angústia em toda categoria e nas comunidades escolares, que recebem a notícia de retorno das aulas em pleno aumento da contaminação e das mortes”. 

“Durante a entrevista coletiva, o governo não fez nenhuma referência aos profissionais da educação, sobretudo em relação aos cuidados com a vida de quem está na sala de aula. Diante desse cenário, o sindicato destaca que a escola é um lugar que propicia a aglomeração e, dessa forma, aumentarão as contaminações e as mortes no Estado”, alega o diretor estadual do Sind-UTE, Célio Moreira.

Sem volta em MOC
Montes Claros, que não aderiu ao plano Minas Consciente, não deve seguir a orientação do Estado. A cidade segue um plano próprio de flexibilização, o “Avança Moc”, que está na quarta etapa. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, os serviços educacionais presenciais estão previstos para retornarem na etapa 5 do plano, que não tem data prevista para implementação.
 
A possibilidade da volta às aulas também não agradou a alguns pais. “Não concordo com essa decisão, porque estamos ainda muito vulneráveis à Covid-19. Na nossa cidade mesmo todos os dias são registrados mais de cem casos e ainda estamos tendo mortes. Exigir que os professores e demais profissionais da educação trabalhem com tanto risco é desumano. Acredito que o retorno deveria acontecer após uma vacina contra o vírus”, avalia Letícia Novato, uma das gestoras do grupo “Mães Amigas de MOC”, que reúne cerca de 7 mil pais.