Com o custo da energia elétrica cada dia mais caro, principalmente com a introdução das bandeiras tarifárias, os consumidores têm optado pela usinas solares fotovoltaicas. As placas podem ser instaladas em telhados de residências, fachadas de prédios, pequenos terrenos de residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. O custo para instalação dos equipamentos pode ser pago em até 60 vezes e a economia alcança até 90%, segundo especialistas.

É o caso do administrador de empresas Samuel Lima de Vasconcelos, que instalou uma usina de energia solar fotovoltaica em sua residência, em Montes Claros, no Norte de Minas.

Com uma casa de 400 metros de área construída e com vários equipamentos elétricos, ele investiu R$ 40 mil para a instalação da unidade e conseguiu reduzir o valor da sua conta mensal de energia de R$ 1 mil para cerca de R$ 100.

“O projeto é totalmente factível, porque a usina funciona 25 anos. Se fizer uma análise do investimento, em 40 meses ela se paga. O restante dos anos a pessoa só terá benefícios, além da utilização de uma energia limpa. Os bancos oferecem linhas de crédito muito atrativas, com juros baixos”, conta Samuel, que tem também uma fazenda com 12 usinas, com 300 placas cada, sendo a metade própria e a outra parte para a ancoragem de usinas de terceiros, onde a pessoa paga apenas um valor mensal referente ao aluguel da terra.

O técnico comercial da Loja Elétrica, Hebert Abreu, conta que uma usina para uma residência pode ser feita gastando até R$ 20 mil, já com a mão de obra incluída. Segundo ele, em um financiamento de R$ 15 mil, feito por parceiros da loja, o consumidor vai desembolsar ao final de 60 meses R$ 22 mil, pagando uma prestação mensal em torno de R$ 400. 

“Tivemos um crescimento na procura de 15% de 2019 para 2020. É muito interessante porque a pessoa divide o custo da usina, além de ser uma energia de uma fonte limpa”, afirma, garantindo que a economia pode variar de 80% a 90%.

O vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI) e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (Secovi), Leonardo Mota, conta que vários condomínios têm aderido à energia fotovoltaica.

Segundo ele, hoje é possível, por exemplo, conseguir desconto de até 20% por meio da Cemig Sim. “A tendência é isso. Hoje, condomínio com grande luminosidade pode cobrir todo o estacionamento com painéis solares, por exemplo”, afirma.

Leonardo Mota conta que pagava cerca de R$ 1.600 de energia na sua residência e, após o investimento de R$ 60 mil para a instalação da usina solar, desembolsa hoje R$ 130. “Primeiro, é uma energia limpa e as pessoas não ficam sujeitas a bandeiras tarifárias”, afirma. 

SAIBA MAIS
Minas Gerais continua na liderança da geração solar distribuída no Brasil e superou recentemente a marca de 800 megawatts (MW) instalados, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). De acordo com a entidade, o Estado é responsável sozinho por 19,6% da capacidade total instalada de energia solar distribuída.

Somadas, são mais de 68 mil conexões operacionais em Minas, abrangendo em torno de 98% dos 853 municípios. Atualmente, são cerca de 96 mil consumidores que já contam com redução na conta de luz, além de mais liberdade de escolha, previsibilidade e proteção contra reajustes tarifários.

Parceria reduz custos em até 20%
As padarias também têm apostado em energia fotovoltaica. Proprietário de quatro unidades em Belo Horizonte e Betim, o presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinícius Dantas, afirma que a parceria da entidade com a Mori vai possibilitar uma economia de 20% no custo da energia. 

“Somadas, minhas lojas gastam hoje R$ 100 mil e vou ter uma economia de R$ 20 mil. Essa é a solução para quando voltarmos o crescimento do país”, garante.

Vinícius Dantas conta que proprietários de grandes padarias já estão antenados para essa nova tendência, que ainda não é uma realidade para a maioria dos estabelecimentos de pequeno porte.

“Temos feito um trabalho com essas empresas, fazendo visitas e simulações para mostrar o que elas podem ganhar. Hoje, com várias empresas (de energia) chegando no mercado, vamos ter mais energia a um custo mais barato”, afirma.

A rede de ensino Coleguium também já está utilizando a energia solar em 13 unidades em Belo Horizonte e no interior do Estado, o que tem gerado uma economia financeira de 12%. 

Segundo Igor Carneiro, assistente de Infraestrutura do estabelecimento de ensino, a implantação teve início em 2016 e foi concluída em 2018, por meio de parceria com a Solargrid, que possui uma fazenda em Januária.

“Os benefícios são ambientais, pedagógicos e financeiros. Entendemos que, enquanto educadores, temos uma missão social de formar melhores cidadãos para o futuro, pensando no mundo e no meio ambiente. Isso visa trazer mais engajamento de nossos alunos e funcionários”, conta. Segundo ele, a intenção é expandir a utilização dessa energia limpa para mais 5 ou 6 unidades do grupo.

Empresas investem no sistema de assinatura
O uso de energia solar por assinatura tem crescido a cada ano em Minas, já que não há a necessidade de investimento em um sistema de geração de eletricidade próprio e pelo baixo custo do serviço. 

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), um dos projetos mais recentes lançados no Estado é o da Gera Soluções, do Grupo Gera, que vai oferecer o serviço a residências e pequenas e médias empresas que buscam reduzir custos e aumentar a competitividade no mercado.

O projeto contempla a utilização de duas usinas fotovoltaicas que estão sendo construídas atualmente na cidade de Iguatama, com investimentos da ordem de R$ 8 milhões, aportados pelas empresas Watt e Energea. Os empreendimentos, com capacidade de geração de 2,5 megawatts (MW) cada, devem ser inaugurados entre março e abril deste ano. 

Serão atendidas residências, comércios, indústrias e propriedades rurais que possuam um gasto médio com eletricidade igual ou superior a R$ 500 por mês. A economia média desses contratos deve ser de até 21% para os consumidores. 

“Temos o objetivo de atender cerca de 400 clientes no primeiro trimestre deste ano, oferecendo planos com alta economia para quem não possui espaço ou não pode instalar painel solar no telhado e que deseje economia imediata na conta sem investimento. E, a partir do primeiro trimestre, devemos expandir para atender mais clientes e em outros estados”, comenta Ramon Oliveira, diretor do Grupo Gera. 
 
EMPREGOS
Projeções da Absolar apontam que a fonte solar fotovoltaica deverá gerar mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros neste ano. Segundo avaliação da entidade, os novos investimentos privados no setor poderão ultrapassar a cifra de R$ 22,6 bilhões em 2021, somando os segmentos de geração distribuída (sistemas em telhados e fachadas de edifícios) e centralizada (grandes usinas solares). 

“O Brasil tem tudo a ganhar com a fonte e está avançando para se tornar uma grande liderança mundial neste setor, cada vez mais estratégico no mundo”, destaca Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar.