Os dois Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), localizados Montes Claros e Juiz de Fora e que estavam fechados desde a última segunda-feira por falta de verba, foram reabertos ontem, depois que o Ministério de Meio Ambiente (MMA) se comprometeu a liberar R$ 130 mil para manutenção e funcionamento dos espaços.

Os Cetas de Montes Claros, no Norte de Minas, e de Juiz de Fora, na Zona da Mata, haviam encerrado atividades no início da semana depois que o MMA anunciou corte de 25% nos contratos de tratadores terceirizados, responsáveis pelo acolhimento aos bichos. Com o fechamento das duas unidades, somente o Ceta de Belo Horizonte estava funcionando.

Após a repercussão negativa e a pressão para que os serviços não deixassem de funcionar – o que poderia estimular o tráfico de animais no Estado –, o MMA voltou atrás.

“O MMA irá repassar recursos para a manutenção dos postos de tratadores das Unidades que sofreriam o corte. Diante desta promessa, a Superintendente Substituta do Ibama em Minas Gerais, Polyana Faria Pereira, determinou a retomada imediata nas atividades de recebimento dos animais, evitando prejuízos ao meio ambiente e na prestação de serviços ao cidadão”, comunicou o Ibama, por nota.

O Ministério do Meio Ambiente foi procurado pela reportagem para comentar o caso e disse apenas que não autorizou o fechamento dos Cetas em Minas. “Apesar do contingenciamento orçamentário a todos os ministérios, não há determinação do fechamento de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) no Estado de Minas Gerais”, declarou a pasta.

O ministério não informou quando a quantia será liberada. No total, os três Cetas de Minas recebem, anualmente, R$ 130 mil.
 
DANOS
A associação de servidores do Ibama (Asibama-MG) explicou a importância do Cetas para o Meio Ambiente. “Esses locais são o destino de todos os animais silvestres apreendidos em cativeiros irregulares. Lá, são identificados, avaliados, tratados e reabilitados para, em seguida, serem devolvidos à natureza. Se não há para onde serem encaminhados, o ciclo da fiscalização é interrompido”.

Sem o atendimento no Norte de Minas e na Zona da Mata, o receio era de superlotação no centro instalado na capital. A necessidade de transferência de um bicho para a metrópole poderia representar riscos tanto para os animais quanto para a saúde pública.
*Com Lucas Eduardo Soares, do Hoje em Dia