O Ministério da Saúde decidiu incluir as grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto) no grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19. 

A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pela coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do ministério, Franciele Francinato. 

Em audiência na Câmara dos Deputados para debater a situação das vacinas no país, a coordenadora disse que a medida foi tomada em razão da situação preocupante da pandemia no Brasil e visto que grávidas e puérperas têm risco maior de hospitalização por Covid-19. “A vacinação deve começar a partir do dia 13 de maio”, informou.

Como O NORTE mostrou na edição de ontem, as mortes de gestantes por complicações da Covid-19 mais do que dobraram em Minas neste ano. Em apenas quatro meses, 39 mineiras que iriam dar à luz perderam a vida após testarem positivo para o coronavírus, um aumento de 129,4% em relação a 2020 – que teve 17 óbitos. Os números são da Secretaria de Estado de Saúde. Conforme a pasta, 2.338 grávidas foram infectadas em Minas, sendo 1.197 em 2021.

Em 15 de março, o governo já tinha incluído as gestantes com comorbidades. De acordo com Franciele, uma nota técnica foi encaminhada nesta segunda-feira aos secretários estaduais de Saúde, com as novas orientações.

“Nossa indicação é que, nesse momento, vamos alterar um pouco a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) que hoje indica a vacinação, de acordo com o custo x benefício. Mas, hoje, o risco de não vacinar gestantes no país já justifica a inclusão desse grupo para se tornar um grupo de vacinação nesse momento”, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do ministério.

Doenças pré-existentes
Apesar da mudança, de acordo com o Ministério da Saúde, em um primeiro momento devem ser vacinadas as grávidas com doenças pré-existentes. 

De acordo com a coordenadora, serão usados as vacinas Coronavac, AstraZeneca e da Pfizer. Neste caso, o primeiro lote de entregas do imunizante deve chegar nesta quinta-feira (29) e 1,3 milhão de doses serão distribuídos para utilização nas capitais.

Franciele disse que a medida foi tomada devido à necessidade de armazenagem das vacinas. Para manter a estabilidade do material, a vacina precisa ficar armazenada em temperaturas de -90° a -60°, por até seis meses. 

No caso das capitais, as doses serão encaminhadas aos centros que podem manter o imunizante em temperaturas de -20° pelo período de sete dias.

“Para a aplicação, a vacina pode ficar em temperatura de geladeira, de até 8°, por até cinco dias”, afirmou.
 
RISCOS
Com os riscos ampliados, é necessário que a mulher mantenha os cuidados de pré-natal e o calendário vacinal atualizado para ter mais segurança durante a gestação. 

Na pandemia, observou-se uma redução nos cuidados com a saúde e a prevenção das doenças, o que é considerado um problema grave pelo médico Agnaldo Lopes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Além da necessidade por assistência ventila-tória, já que a gravidez dificulta a respiração da mãe por conta das restrições de expansão pulmonar, existem mais chances no desenvolvimento de trombose, uma das sequelas da Covid-19.

*Com Agência Brasil