Macacos encontrados mortos em cidades do Norte de Minas testaram positivo para a febre amarela. O resultado dos exames, feitos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), colocou três municípios em estado de alerta para a doença.

“Tivemos amostras positivas em Coração de Jesus, São João da Lagoa e Juramento e ainda há um município em que estamos aguardando o resultado”, afirma Agna Menezes, coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros.

Antes mesmo da confirmação da contaminação dos primatas, foi realizada uma força-tarefa nos municípios limítrofes às áreas onde foram encontrados os restos mortais dos animais. Vigilância reforçada após a divulgação do diagnóstico.

De acordo com Agna, o primata encontrado morto é um evento “sentinela”, que indica que o vírus da febre amarela está circulando naquela região.

As ações focaram na sensibilização da população para não matar o macaco, já que ele não é o transmissor do vírus. E para que, caso seja encontrado morto, a notificação seja feita ao profissional de saúde da cidade para que sejam recolhidas e analisadas as vísceras do animal.
 
VACINAÇÃO
“O nosso setor de imunização fez uma avaliação e, dos nossos 54 municípios, 30 estão com cobertura acima de 95%, que é a preconizada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, quando a gente avalia essa cobertura por faixa etária, muitos daquela idade não estão protegidos. Por isso, estamos fazendo um trabalho intenso com os municípios para monitoramento rápido de cobertura vacinal em busca das pessoas que não estão vacinadas contra a febre amarela”, destaca Agna.
 
EM CAMPO
O secretário de Saúde de Coração de Jesus, Guilherme Leal, destaca que assim que foi informado o diagnóstico dos macacos, o município adotou o protocolo recomendado pela SRS e colocou nas ruas o alerta.

“Nosso município fez o reforço da vacinação, primeiramente nas comunidades próximas ao local do evento. No momento, a situação é tranquila. Estamos com uma cobertura vacinal favorável e seguindo as orientações passadas pelo Estado, mais especificamente pelo Departamento de Vigilância da Superintendência Regional de Saúde”, afirma.

PREVENÇÃO
Depois que três carcaças de primatas foram encontradas na região do Riachão, zona rural de Mirabela, e pela proximidade com municípios onde foram registrados os casos, a prefeitura daquela cidade integrou a força-tarefa.

Apesar de as análises não terem confirmado a contaminação dos animais pela febre amarela, Mirabela iniciou ações de comunicação por meio de internet, rádio local e sistema de sonorização, alertando a população nas áreas urbana e rural.

“Fizemos trabalho direcionado para os agentes de saúde e endemias, busca ativa da população, especialmente na região onde encontraram os animais mortos, e busca ativa para atualização de esquema vacinal. O trabalho de campo durou três dias”, diz Vandilson Mendes, coordenador da Vigilância em Saúde do município.

Em São João da Lagoa, a busca ativa de pessoas que precisavam tomar a dose contra a febre amarela foi intensa. “Realizamos o bloqueio (vacinação) na região onde foram encontrados os micos mortos e, em outro dia, na sede do município. O carro da vacinação fez a busca ativa e aplicamos 75 doses. A campanha de divulgação foi colocada nas redes sociais e os agentes comunitários e de endemias fizeram visitas solicitando a atualização da vacina, que está disponível para pessoas de nove meses a 59 anos”, afirma Fernanda Fonseca, coordenadora de Atenção Primária em São João da Lagoa.