A área queimada no entorno de apenas seis unidades de conservação geridas pelo governo de Minas cresceu, neste ano, 48,5% em relação à média histórica no Estado (2013/2020).

De acordo com dados parciais do Instituto Estadual de Florestas (IEF), são 6.895,8 hectares atingidos pelo fogo, o que equivale a 6,8 mil campos de futebol. E nessa lista de seis áreas de preservação, duas estão no Norte de Minas – Parque Estadual da Serra do Cabral e Área de Proteção Ambiental (APA) Cochá e Gibão, que ardiam em chamas nesta segunda-feira.

O crescimento da área destruída pelo fogo em Minas acende a luz vermelha dos órgãos de preservação estaduais, já que o período crítico dos incêndios florestais está apenas começando e segue até outubro.

Na tentativa de conter os estragos, uma força-tarefa para combater incêndios criminosos foi iniciada nesta segunda-feira (13). A operação envolve a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o IEF. 

A ação vai ocorrer neste mês, das 6h às 18h, nas áreas sob gestão do IEF consideradas mais vulneráveis a focos provocados pela ação humana (veja a lista no quadro). Foram designadas quatro Companhias de policiamento para atuarem em um trabalho ostensivo no combate aos incêndios nessas unidades.

“Estamos vivendo a maior seca dos últimos 90 anos, e isso repercute na vegetação, nas florestas. Tivemos um aumento nos focos de calor, um indicativo de propensão a ocorrências e propagação de incêndios”, afirma Marília Melo, secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com a gestora, 534 ocorrências foram registradas nas unidades sob responsabilidade do Executivo mineiro em 2021 (a média histórica é de 357 casos).
 
RONDAS
Militares da Polícia de Meio Ambiente farão rondas para coibir a ação dos incendiários que causam prejuízos à flora e fauna, além de gastos para os cofres públicos. O envolvimento da Polícia Civil se dará por meio de investigações para determinar as causas das ocorrências. 

Segundo os bombeiros, a corporação foi acionada 695 vezes em todo o território, entre a meia-noite de sábado (11) e as 23h59 de domingo (12), para atendimentos, todos eles via 193. Incêndio florestal é crime ambiental, com pena de dois a quatro anos de prisão, além de multa.
 
AÇÃO
A força-tarefa é um reforço ao Plano de Resposta Para Atendimento a Incêndios Florestais em 2021, lançado em julho deste ano e para o qual a Semad e o IEF investiram cerca de R$ 40 milhões nas ações de prevenção e combate.

Entre as medidas adotadas pelo governo estadual estão a contratação de brigadistas, aquisição de equipamentos e a implantação de dez novas Unidades Operacionais (UOP) em unidades de conservação e em bases distribuídas por Minas.

Para o apoio no combate ao fogo, o IEF também reforçou a frota por meio da aquisição de 111 caminhonetes, que se somam à estrutura já existente. 

Também foi feita a contratação de oito aviões, além da manutenção do convênio entre o instituto e a PM, que prevê o compartilhamento de aeronaves, com o uso de oito helicópteros e quatro aviões para atividades de monitoramento e transporte de pessoal.

Unidades alvo da ação
- Parque Estadual Serra do Ouro Branco (Ouro Preto e Ouro Branco)

- Parque Estadual Serra do Papagaio (Alagoa, Aiuruoca, Baependi, Itamonte, Pouso Alto – Sul de Minas)

- Parque Estadual Serra do Cabral (Buenópolis e Joaquim Felício - Norte de Minas)

- Área de Proteção Ambiental Cochá e Gibão (Januária, Cônego Marinho e Bonito de Minas, no Norte do Estado)

- Parque Estadual Serra do Rola Moça (Belo Horizonte, Brumadinho, Nova Lima e Ibirité – Grande BH)

- Parque Estadual Biribiri (Diamantina – Vale do Jequitinhonha)