Minas Gerais deve chegar, em 2021, a 800 radares de controle de excesso de velocidade nas rodovias estaduais. O incremento é de mais de 71% – atualmente são 466 equipamentos em operação. A ideia também é ter, na totalidade dos aparelhos, a tecnologia de leitura de placas de veículos, que ajuda a identificar, por exemplo, veículos com documentação irregular. Hoje, o sistema já funciona em um terço dos que estão instalados.

O edital que prevê a ampliação deve ser divulgado ainda em janeiro. O investimento total não foi fechado até o momento, informou o diretor de Operação Viária do Departamento de Edifica-ções e Estradas de Rodagem (DER), Anderson Tavares Abras.

“Estamos ainda concluindo este estudo. A ideia é quase dobrar (quantidade de radares em operação). Lógico que têm outros fatores, é um número arrojado, então a gente começou a meta com 800 radares”, destacou.

Apesar de ainda não ter os locais de instalação definidos, Anderson Abras diz que a intenção é abranger os principais corredores.

Pontos nas MGs 020, 030 e 040 (na Grande BH), 290 (no Sul de Minas) e 120 e 135 (Norte) são alguns na mira do DER para receberem os aparelhos.
 
FREIO NOS APRESSADOS
A fiscalização eletrônica é aposta para coibir os motoristas infratores no trânsito. De janeiro a setembro de 2020, os radares instalados nas rodovias sob a tutela do Estado flagraram 497 mil veículos em excesso de velocidade.

A lógica de implantação, destaca o professor Guilherme Leiva, do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, é privilegiar os pontos mais críticos, principalmente com maior número de acidentes. “A fiscalização é uma das etapas necessárias para que o uso da via e circulação aconteçam da forma mais adequada”, frisou.

Porém, o especialista destaca que a instalação dos radares faz parte de uma política ampla de redução de acidentes. Dessa forma, ainda segundo Leiva, medidas do tipo não eximem o poder público da necessidade de investimentos na educação para o trânsito, na infraestrutura e nos serviços de transporte.

“É trabalhar em diversas frentes, como asfaltar adequadamente, ter boa sinalização nas rodovias indicando locais críticos e limites reais de velocidade, além de fazer investimentos para corrigir problemas no traçado da própria via”, diz o professor do Cefet-MG. 

De acordo com o DER, diversas ações educativas são realizadas para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de uma boa convivência no trânsito, como palestras e campanhas.
 
FEDERAIS
Já nas rodovias sob a gestão da União, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou, em nota, que está cumprindo o acordo judicial homologado em julho de 2019 pela Justiça Federal para a instalação de 1.140 radares eletrônicos em todo o território nacional, “visando o controle de velocidade em faixas de tráfego com criticidades média, alta e muito alta”. 

Ainda conforme o órgão, os equipamentos são implantados após a aprovação dos projetos e, depois da instalação, passam por aferição do Inmetro. Somente após essas etapas iniciam a operação.

Mais de 40 balanças serão reativadas 
Quarenta e duas balanças para controle de carga excedente devem voltar a funcionar ainda no primeiro semestre deste ano nas rodovias estaduais mineiras. As praças de pesagem estão sem operar desde o segundo semestre de 2020. 

“O contrato com as empresas chegou ao limite e não era mais possível renovar”, disse o diretor de Operação Viária do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER), Anderson Tavares Abras. Para um novo certame, será preciso a realização de estudos técnicos, mas, de acordo com o órgão, algumas atividades ficaram prejudicadas por causa da pandemia de Covid-19.

Atualmente, quatro balanças estão em operação: duas no Sul do Estado, perto de Pouso Alegre, e as restantes na MG-050, em Carmo do Cajuru (Centro-Oeste) e São Sebastião do Paraíso (Sul).

A retomada do serviço deve ser feita o mais rápido possível, afirma Márcio Aguiar, especialista em engenharia de transporte e trânsito. A preocupação é com o estrago causado ao asfalto. “Sem fiscalização, muitos transportadores excedem no peso da carga que é permitido. A degradação é muito mais acelerada e a pavimentação, que deveria durar dez anos, dura apenas três”, explica.

Ele diz, ainda, que as balanças administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), instaladas nas estradas federais, precisam voltar a operar. O órgão foi acionado, mas não comentou o assunto até o fechamento desta edição.