Após uma batalha travada nos bastidores e na preparação do processo, a eleição do Samu/Cisrun Macronorte, realizada nesta segunda-feira, vira, novamente, alvo da disputa política entre prefeitos da região e caso de polícia.

A escolha dos novos dirigentes da entidade, na sede da Fasi, foi marcada por confusão e a polícia precisou ser acionada para conter os ânimos. 

De um lado, o candidato Marcelo Meirelles, prefeito de São Romão, que acabou vencendo o pleito com 36 votos contra 23 do outro candidato, Norberto Marcelino (PDT), prefeito de Claros dos Poções.

O deputado federal Paulo Guedes (PT) e seu grupo esteve todo o tempo no local e foi um dos articuladores da eleição do prefeito de São Romão. Porém, a chapa adversária havia entrado com mandado de segurança e uma decisão do juiz Francisco Lacerda, de 29 de janeiro de 2021, considerou que a chapa de Marcelo não estaria apta à disputa.
 
IRREGULARIDADE
De acordo com o documento, a inscrição do prefeito de Santa Cruz de Salinas como membro do Conselho Fiscal seria irregular, uma vez que o município não cumpria os requisitos para integrar a chapa. 

No início do evento, um oficial notificou a mesa sobre a decisão, mas a eleição prosseguiu. Logo após o resultado, Norberto Marcelino registrou Boletim de Ocorrência, alegando que a Comissão Eleitoral, que deu carta branca à chapa vencedora para entrar na disputa, teria descumprido a decisão judicial e foi formada com a interferência do deputado Paulo Guedes, sem imparcialidade.

O Samu continua sob o comando de Silvanei Batista, ex-prefeito de Porteirinha e aliado do atual vencedor, até 28 de fevereiro.

O prefeito Marcelo Meireles não foi encontrado para falar sobre a eleição e as acusações de descumprimento judicial. 

Em declaração logo após anunciado como vencedor, o prefeito disse que pretende “copiar” o que deu certo na gestão de Silvanei e ampliar as bases do Samu – hoje com 42. O Samu Macronorte atende a 86 municípios da região.

Os prefeitos de Santa Cruz de Salinas e de Claros dos Poções foram procurados, mas não retornaram até o fechamento da edição. A assessoria do Samu não atendeu às ligações e não oficializou informações à imprensa.

A imprensa teria sido barrada, o que provocou protestos de jornalistas nas redes sociais. O jornalista Aurélio Vidal gravou um vídeo no local mostrando sua insatisfação com o processo que, para ele, não foi nada democrático, a exemplo da eleição anterior, quando foram colocadas restrições de acesso.

SAIBA MAIS
Ao todo, 60 municípios estavam em conformidade com o Edital e poderiam participar do processo, segundo nota enviada pelo Cisrun. Porém, apenas 59 prefeitos compareceram. O Consórcio informou que a eleição ocorreu dentro do que foi estabelecido pelo Edital, cumprindo orientações e determinações do Judiciário. Com relação à intimação da Justiça, será respondido nos autos, uma vez que há prazo para isso. O texto ainda ressalta que a Comissão de Eleição analisou as duas chapas inscritas e foi verificado que as chapas não tinham representante de município que esteja inadimplente, até o prazo final para inscrição, 16 de janeiro.