Uma maneira natural e com custo praticamente zero de adubar a pastagem, pomares e lavouras é a construção de esterqueiras, que permitem a fermentação do esterco, reduzindo o seu poder poluidor e possibilitando seu aproveitamento como fertilizante. Neste período de pandemia, que afetou todos os setores do agronegócio, a Emater orienta os pequenos produtores a aderir a essa prática, uma vez que os dejetos dos animais não podem ser lançados de qualquer forma no meio ambiente.
 
A coordenadora de Saneamento Ambiental da Emater, Jane Terezinha Leal, pontua que os criadores de vacas leiteiras sentem mais dificuldade em manter os currais de ordenha limpos, de acordo com as medidas estipuladas pela Vigilância Sanitária. “No trabalho diário nas propriedades, muitos produtores enfrentam uma dificuldade após a limpeza de currais, estábulos e salas de ordenha: o que fazer com os dejetos líquidos (mistura de água, urina e fezes dos animais) que saem desses ambientes”, explica a coordenadora.
 
Ainda segundo Jane Leal, os dejetos de bovinos possuem nutrientes, mas quando não são tratados e lançados no meio ambiente de qualquer forma, se tornam um potencial poluidor das águas e do solo. E isso é prejudicial à saúde. “Trabalhamos com tecnologias já existentes e que possam ser adequadas ao agricultor familiar. Uma dessas tecnologias é o uso de esterqueira para tratamento de dejetos líquidos, seguida da fertirrigação”, aponta.
 
ESTRUTURA 
A esterqueira é um tanque escavado e impermeável usado para a fermentação dos dejetos. Essa impermeabilização deve, preferencialmente, ser feita com uma geomembrana, que é uma manta com espessura e material adequados para impedir que os dejetos depositados na esterqueira infiltrem e contaminem o solo. Mas, caso o produtor tenha disponibilidade de material, ela também pode ser feita de alvenaria para reduzir o custo. O importante é que seja bem impermeabilizada.
 
Além do benefício ambiental, a construção de esterqueiras, aliada ao uso da fertirrigação, também tem um impacto econômico na propriedade. Com esse método, os produtores acabam reduzindo os custos, uma vez que a utilização não precisa de mão de obra especializada, e também diminuem o uso de adubo químico.
 
NA PRÁTICA
Com a fermentação na esterqueira, o poder poluidor dos dejetos é reduzido, possibilitando o seu aproveitamento como fertilizante em lavouras e pastagens. 
 
Para que o processo ocorra de forma adequada, a esterqueira deve ter 2,5 metros de profundidade, formato de trapézio, com a base inferior menor que a base superior. 
 
A capacidade de cada estrutura será determinada pela quantidade de dejetos que são produzidos na propriedade. Vai depender do número de animais, quantas ordenhas são feitas por dia, se o rebanho passa mais tempo no pasto ou no curral.
 
A cada dia que as instalações (sala de ordenha, curral, estábulo) são lavadas, os dejetos líquidos devem ser depositados na esterqueira, onde ficam por 60 dias fermentando, graças às reações bioquímicas que ocorrem no material.
 
Este é um tempo de segurança para que os dejetos não causem dano ambiental ao solo e possam ser absorvidos pelas plantas, sem chegar aos cursos d´água. Depois desse tempo de espera, pode se tirar aos poucos o material que, a esta altura, já se transformou em biofertilizante.