Em período de pandemia, com as pessoas mais reclusas e muito debruçadas nos celulares e computadores, os golpes digitais ganharam espaço. No Norte de Minas essa prática cresceu 26% de janeiro a julho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

Foram 535 ocorrências em 2021 contra 425 em 2020. Enquanto isso, o crime de estelionato fora do mundo digital caiu 10%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo 11º Departamento de Polícia Civil de Montes Claros, que lançou uma cartilha para auxiliar a população a identificar possíveis golpes e a se prevenir deles.

O material também orienta o consumidor a adotar as providências necessárias caso seja vítima dos criminosos.

Em Montes Claros, foram registradas 185 ocorrências de janeiro a julho deste ano, número 8,8% superior aos 170 crimes no mesmo período de 2020. 
 
TIPOS DE GOLPES
A Polícia Civil identificou pelo menos 14 tipos de golpes mais aplicados na região. Eles são listados na cartilha para que as pessoas fiquem mais atentas e não caiam nas armadilhas dos estelionatários. 

“Queremos chamar a atenção para um dos 14 crimes elencados na cartilha. O indivíduo, através das redes sociais, se passa por uma adolescente, encaminhando nudes para um homem de idade mais avançada e bem-sucedido. O criminoso sugere que esse homem também envie nudes para a ‘adolescente’. Ao enviar a foto, recebe uma mensagem por WhatsApp fake contendo a foto de um delegado de polícia exigindo o pagamento de valor para que não sejam tomadas as providências legais”, explica o delegado Regional, Herivelton Ruas Santana.

Segundo ele, os estelionatários têm agido a partir do Rio Grande do Sul e já estão sendo investigados. “A Polícia Civil avisa que nenhum delegado envia WhatsApp para suspeitos de crimes, principalmente para evitar que esse indivíduo seja processado. Normalmente, o cidadão investigado recebe uma intimação ou um policial em sua residência instado a estar na delegacia para prestar esclarecimento”, explica Herivelton.
 
FOTO
O delegado de Montes Claros foi um dos que teve a foto usada recentemente pelos criminosos em um WhatsApp fake. Ele esclarece que, em nenhuma hipótese, um delegado irá adotar um procedimento desta natureza.

“A primeira coisa a se fazer é evitar esse tipo de mensagem, pois se realmente se tratar de uma criança ou adolescente, ele estará incorrendo em crime. Então, o primeiro passo do homem adulto é não aceitar o recebimento de fotos de crianças e adolescentes”, orienta.

Muitas vítimas, segundo o delegado, deixam de registrar ocorrência pelo constrangimento que este fato causa. A Polícia Civil orienta, no entanto, que assim que receber esse tipo de fotografia, procure uma delegacia imediatamente, pois já há uma investigação em andamento para que se possa identificar esses estelionatários.

Orientação em cartilha
“Essa cartilha é mais uma ferramenta de conscientização da população contra esses golpes. Os crimes são basicamente os mesmos, mas, dentro da mesma modalidade, eles vão se reinventando para captar novas vítimas”, diz o delgado Jurandir Cesar Filho, chefe do 11º Departamento de Polícia Civil.

O golpe mais comum, até então, é o do WhatsApp clonado, utilizado em várias modalidades. “E como as pessoas têm habilitado a verificação em duas etapas, os criminosos criaram agora o WhatsApp fake. Eles habilitam uma linha telefônica no mesmo código de área (DDD), pega a foto da pessoa e coloca no WhatsApp fake, utilizando informações fornecidas por sites de hackers, como dados pessoais de parentes, relacionamentos. Então, enviam mensagem para essas pessoas com o golpe do parente que quebrou o carro, empréstimo de determinada quantia e outros”, explica o delegado.

Clique aqui para ver a cartilha